Sérgio Cabral diz que nota do Exército é "estapafúrdia, infeliz e fora de propósito"
Da Redação | 19/10/2004, 00h00
Em nome do PMDB, o senador Sérgio Cabral (PMDB-RJ) protestou em Plenário contra a nota do Comando do Exército, divulgada na segunda-feira (18), sobre a divulgação de fotos do jornalista Vladimir Herzog preso no DOI-Codi, em São Paulo, antes de aparecer morto, em 1975. Na nota, o Comando do Exército faz elogios ao golpe de 1964, afirmando que ele foi fruto de "clamor popular em resposta ao movimento subversivo que se recusa ao diálogo". Diz ainda que a atitude de divulgação das fotos é "revanchismo".
- É uma nota estapafúrdia, infeliz e fora de propósito. Creio que o ministro da Defesa deve tomar uma atitude dura. Não é possível que a maioria esmagadora dos oficiais do Exército brasileiro confirme o que está escrito na nota da Comunicação Social do Exército - afirmou.
Sérgio Cabral leu em Plenário o trecho da nota que afirma que "um movimento subversivo (...), atuando a mando de conhecidos centros de irradiação do movimento comunista internacional, pretendia derrubar, pela força, o governo brasileiro legalmente constituído".
- Desde quando o governo de 1964 foi legalmente constituído? Desde quando o movimento de março de 1964 legitimou algum governo neste país? Legalmente constituído era o jornalista Vladimir Herzog, lutando pela liberdade de imprensa, lutando pela democracia - sustentou o senador do Rio de Janeiro.
Sérgio Cabral disse ainda não ser aceitável que o ministro da Defesa, José Viegas, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "vejam isso e não tomem uma atitude de condenação pública e até mesmo de punição aos responsáveis por esta nota absolutamente odiosa, fora de propósito no momento em que o país vive um Estado democrático de direito".
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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