José Jorge quer anulação de contratos da Cobra
Da Redação | 26/08/2004, 00h00
- Tenho certeza de que o TCU dará prosseguimento a essa denúncia já que nesta Casa a oposição é impedida de qualquer tipo de investigação que possa atingir as vestais do Palácio do Planalto – afirmou.
O senador informou que a Cobra foi criada em 1974 para criar programas e computadores usando tecnologia nacional. Em 1977 teve 13% de seu capital adquirido pelo Banco do Brasil. Cresceu alavancada pela reserva de mercado e entrou em crise a partir de 1990, com a abertura do mercado de informática. Mas desde 2003, com a ascensão do governo Luiz Inácio Lula da Silva, a empresa renasceu. Segundo José Jorge, esse aumento de negócios da Cobra aconteceu com incentivo do ministro da Casa Civil, José Dirceu, na época assessorado por Waldomiro Diniz.
A idéia do Planalto, disse o senador, é de que a Cobra funcione como intermediária nos negócios de tecnologia do governo com a iniciativa privada e também participe de licitações públicas em concorrência direta com empresas do segmento. Com a nova linha de atuação, a Cobra teve seu faturamento duplicado em 2003 para R$ 800 milhões e este ano deve atingir R$ 1,5 bilhão. Que está administrando a empresa é o ex-executivo da G-Tech, Graciano Santos Neto. A G-Tech apareceu recentemente envolvida em denúncias de corrupção no governo protagonizadas por Waldomiro Diniz.
Em situação semelhante à da Cobra, informou José Jorge, está a Novadata, sediada em Brasília e que até 2002 estava em situação pré-falimentar. Em 2002 a empresa faturou R$ 170 milhões e em 2003 alcançou R$ 250 milhões de faturamento. A Novadata estaria sendo gerenciada por Mauro Dutra, financiador e arrecadador de recursos para candidatos do PT.
O ressurgimento simultâneo das duas empresas não é coincidência, disse José Jorge, uma vez que os contratos emergenciais conseguidos de forma irregular pela Cobra foram “quarteirizados” para Novadata. De acordo com José Jorge, a Cobra qualifica-se para prestar serviços de tecnologia como empresa subsidiária do Banco do Brasil para o próprio banco e para outras empresas. Mas, sem se submeter à licitação pública, subcontrata serviços de qualquer empresa do mercado.
- Assim, por meio da Cobra, o Banco do Brasil contrata quem a diretoria desejar. Desde 2003 esse desejo vem recaindo repetidas vezes sobre a Novadata – disse José Jorge.
O senador também denunciou contrato firmado entre a Cobra e da Dataprev. A Cobra foi contratada para substituir a Unisys que atuava junto a Datapreve há mais de 28 anos. A Cobra foi contratada sem licitação e, para surpresa geral, subcontratou a própria Unisys para prestar o mesmo serviço que havia sido cancelado anteriormente.
- Criou-se a figura do atravessador na gestão dos recursos públicos – disse o senador.
José Jorge ainda apresentou uma outra denúncia. Segundo o senador, o Banco do Nordeste (BNB) firmou contrato com a Cobra no valor de R$ 129 milhões sem licitação. Em todos os outros contratos semelhantes firmados pelo BNB nos últimos 50 anos sempre houve licitação pública.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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