O líder do PFL no Senado, José Agripino (PFL-RN), disse nesta segunda-feira (23) que seu partido vai passar a examinar “com lupa” as próximas medidas provisórias do Poder Executivo (MPs), para evitar que o governo beneficie as administrações municipais e estaduais do PT. Ele citou como exemplo emenda introduzida pela Câmara dos Deputados à MP que normatizava a antecipação de receita para áreas afetadas por catástrofes climáticas. Com o acréscimo, as prefeituras ganharam 27 dias a mais de prazo para o pagamento de dívidas mobiliárias renegociadas com o governo federal. A emenda teria sido feita de encomenda para dar um ganho de receita à Prefeitura de São Paulo e facilitar a reeleição de Marta Suplicy (PT). No entender de Agripino, a reeleição de Marta faz parte da estratégia de permanência no poder montada pelo PT, ironicamente chamada pelo parlamentar de “Projeto Gabão”. É que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse recentemente em Porto Rico que gostaria de saber a fórmula utilizada pelo chefe de Estado do Gabão, que está há 37 anos no cargo e ainda pleiteia reeleição. O senador potiguar criticou o governo por ter “sorrateiramente” emendado a MP, por intermédio do deputado Hélio Esteves (PT-AP). No Senado, a medida foi aprovada sem que se percebesse o teor da emenda, que seria do conhecimento apenas do governo e da prefeita paulista. - Fomos usados ao aprovar de boa-fé essa MP, que serviria para ajudar a reconstrução de estradas e pontes destruídas por intempéries – lamentou o líder do PFL. Segundo Agripino, São Paulo detém 40% da dívida mobiliária municipal. A prefeita teria pedido essa folga no esquema de pagamento, mas a legislação não permitia. Com a MP, a prefeitura ficou praticamente por dois meses sem fazer pagamentos relativos à dívida mobiliária ao governo federal. - Estive em São Paulo e nunca vi tanta propaganda do PT. Espero que o dinheiro economizado pela prefeitura não esteja sendo usado na campanha – disse o senador.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)