Discursando nesta quarta-feira (18) sobre o projeto com novas regras para a produção e a veiculação de filmes no cinema e na televisão, a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), afirmou que facilitar a exibição de produtos audiovisuais nacionais é um “questão de soberania cultural e econômica”. Ela criticou especialmente a posição contrária das emissoras de TV à reserva de espaço a produções nacionais. Na opinião da senadora, a defesa do audiovisual brasileiro é tão importante hoje quanto foi nos anos 50 a campanha do monopólio estatal do petróleo, com o lema “O Petróleo É Nosso”. A líder do PT sugeriu a atualização desse mote para “A Telinha É Nossa”. Ideli observou que, ao lado da dominação cultural, fonte de dominação política e econômica, o controle do mercado de filmes e outras produções pelos norte-americanos representa uma perda de renda enorme para o setor audiovisual e outros correlatos no Brasil. Segundo a parlamentar catarinense, a indústria audiovisual é responsável pela segunda maior fonte de receita dos Estados Unidos, cujo cinema hoje ocupa 85% das exibições em todo o mundo. Em encontro com o presidente George W. Bush, o homem forte da indústria cinematográfica norte-americana, Jack Valente, teria colocado como meta a ocupação de 100% do mercado mundial. - Os Estados Unidos não vão descansar enquanto não dominarem a tudo e a todos – alertou a senadora. Ideli contrapôs a essa meta o desafio lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no sentido de que o povo brasileiro tenha acesso ao seu cinema, “nem que seja a custo zero”. A líder do PT esclareceu que o custo zero seria exibição na TV, que hoje alcança 41,5 milhões de domicílios. Durante seu discurso, Ideli anunciou a adesão do senador Heráclito Fortes (PFL-PI) à Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Cinematográfica Brasileira, coordenada pelo deputado Washington Luiz. Ela também recomendou que seja visitada a página do Ministério da Cultura na internet, espaço em que está disponível para consulta e opiniões o projeto de criação da Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav). - Estão nos acusando de autoritarismo e stalinismo, mas não é verdade. O projeto está em fase de debate, aberto a qualquer brasileiro – disse a senadora. Ela rechaçou as acusações de que o governo está sendo autoritário no encaminhamento de projeto que cria o Conselho Federal de Jornalismo e na edição de medida administrativa que permite troca de informações sigilosas entre órgãos do governo.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)