Vazamento de informações está dentro do governo, afirma Heráclito

Da Redação | 06/08/2004, 00h00

As denúncias de envolvimento do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, em remessa de recursos por meio de doleiros para o exterior não devem ser creditadas à oposição. A opinião é do senador Heráclito Fortes (PFL-PI), para quem existe “um duto de vazamentos” de informações comprometedoras dentro do próprio governo. As intrigas, disse, aumentam neste momento por ser véspera de eleição.

- O governo tenta colocar a carga de mais essa denúncia nas costas da oposição. É a maneira mais cômoda. O presidente não acordou ainda para o fato de o fogo amigo partir de dentro do Palácio do Planalto. O governo tem várias divisões, guetos que se digladiam entre si – analisou Heráclito.

O senador sugeriu que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) trabalhe para identificar de onde saem os vazamentos, que vêm sistematicamente criando crises no BC. Em resposta às acusações de que os dados fiscais e bancários de Meirelles, protegidos por sigilo, teriam vazado da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Banestado por obra da oposição, Heráclito destacou que o presidente da comissão, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), informou que a CPI nunca teve acesso a essas informações, já que elas nunca foram requeridas.

- Não interessa à oposição a saída de Meirelles, pois temos certeza de que a substituição pode ser por coisa pior – ponderou Heráclito.

O senador também identifica que pessoas pertencentes ao núcleo do PT estão “queimando” o presidente do Banco do Brasil (BB), Cássio Casseb, como aconteceu no caso Waldomiro Diniz, nascido, segundo o senador, em gabinetes próximos à Casa Civil.

- Daí vem a grande frustração da oposição. Ainda não tivemos o prazer de criar uma crise para o governo. O governo cria todas as crises. Basta examinar se alguma das crises foi originada na cabeça privilegiada de alguma liderança oposicionista – declarou.

Agência do Cinema

Heráclito condenou ainda a proposta de criação da Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav) que, em sua opinião, tem a intenção de cercear e dirigir a produção cultural e artística, como uma “Gestapo cultural” ou a “Lei da Mordaça da cultura brasileira”. Para o senador, o ministro da Cultura, Gilberto Gil, deve ter sido pego de surpresa como os senadores, que foram informados do projeto pela imprensa.

- Essa proposta totalitária frustrou todo o meio artístico e intelectual brasileiro. Seria a criação de um órgão de censura e de cerceamento das liberdades culturais, uma medida intevencionista – avaliou, reclamando da ausência de parlamentares do governo nas sessões plenárias para ajudar na elucidação de alguns fatos.

O projeto de instituição do Conselho Nacional de Jornalistas (CNJ) também reflete, segundo Heráclito, as tendências “absolutistas” e “stalinistas” do governo do PT.

Em aparte, Antero afirmou que os fatos trazidos a público sobre Meirelles são graves para quem ocupa cargo de presidente do BC. Ele condenou a iniciativa de criação do CNJ, que chamou de “conselho de petistas para controlar jornalistas”.

- É a reintrodução da censura, afrontando a Constituição e ameaçando a imprensa livre. É a possibilidade do dirigismo cultural – afirmou Antero, acusando o governo de tentar transformar o Ministério Público em um apêndice do Executivo, revertendo uma grande conquista da sociedade brasileira.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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