O senador Mozarildo Cavalcanti (PPS-RR) lamentou que o Brasil tenha recebido recentemente um “puxão de orelhas” da Organização Mundial de Saúde (OMS), por estar entre os seis únicos países que ainda não conseguiram reduzir a incidência de hanseníase ao patamar, considerado aceitável, de menos de um caso para cada 10 mil habitantes. Segundo notícia do jornal O Globo citada pelo senador, o embaixador da OMS para a eliminação da hanseníase, Yohei Sasakawa, lembrou que o combate à doença exige maior empenho do governo e da sociedade. Ao contrário do que ocorre em outros casos, quando o paciente procura o médico, observou, na hanseníase o governo é que tem que ir atrás do doente. - A hanseníase é uma doença que atormenta os seres humanos há milênios e já poderia estar totalmente erradicada. No Brasil, ela persiste devido à falta de atenção do governo, colocando-nos na mais triste situação de país com maior incidência desse mal no mundo, tomando-se a ocorrência de casos por 10 mil habitantes – disse Mozarildo. Na opinião do senador, o mais grave dessa situação é que o governo não gasta nada com os remédios contra a hanseníase, uma doença que, como lembrou, é plenamente curável e cujo tratamento leva de seis meses a um ano. O medicamento, ressaltou Mozarildo, é distribuído gratuitamente, em escala mundial. Depois da reprimenda da OMS, disse o senador, o governo comprometeu-se com a redução, até o ano que vem, do número de casos a menos de um por 10 mil habitantes. Atualmente, citou, a taxa é de 3,88. Na opinião de Mozarildo, a “triste liderança” do Brasil pode ser decorrente, entre outros fatores, de deficiências da rede de saúde pública, da falta de pessoal qualificado para diagnosticar a doença e do desconhecimento da população sobre a hanseníase.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)