O senador José Jorge (PFL-PE) disse nesta quarta-feira (4) que são preocupantes as indefinições que cercam o setor elétrico do país, 19 meses depois do início do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Ele lembrou que investimentos no setor são de longa maturação e precisam de três e sete anos para alcançarem resultados concretos. - No início do governo, havia 10 milhões de megawatts sobrando, mas se a paralisia não for rapidamente revertida haverá falta de energia a partir de 2007. Caso o crescimento da economia se acelere, como todos desejamos, a escassez pode até começar antes - alertou. Para o senador, a decisão do governo de criar um modelo totalmente novo para o setor não foi a melhor, pois implicou perda de muito tempo, tanto que até hoje a regulamentação do modelo está longe de terminar. José Jorge disse ainda que o governo precisa definir com rapidez se irá intensificar a construção da usina nuclear de Angra 3. O projeto já consumiu mais de R$ 1 bilhão e, está paralisado, assim como todas as hidrelétricas que o governo Fernando Henrique Cardoso deixou em construção, de acordo com o senador. Com base em dados da Associação Brasileira de Infra-Estrutura e Indústria de Base, José Jorge disse que há 26 projetos de geração de energia elétrica, totalizando 5.500 megawatts, paralisados em virtude de problemas com licenciamento ambiental e dificuldades de financiamento ou devido à instabilidade do marco regulatório. Para a associação, o investimento do setor privado nesses empreendimentos poderia chegar a R$ 14 bilhões, mas somente quando os problemas dessas usinas estiverem resolvidos os investidores pensarão em participar de leilões de energia nova, destacou José Jorge. O senador por Pernambuco alertou ainda para o fato de que, sem um parque gerador confiável e diversificado, que inclua formas alternativas de aproveitamento energético, a economia não crescerá e os investimentos necessários para a criação de bons empregos não serão feitos. Sem energia não pode haver progresso, observou. Em aparte, o senador Edison Lobão (PFL-MA) afirmou que o governo não pode se descuidar do setor energético e que todos ainda se lembram do “apagão” de 2001.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)