Eduardo Azeredo pede cautela com índice de crescimento
Da Redação | 25/06/2004, 00h00
As expectativas do governo sobre o crescimento da economia podem estar superestimadas, disse o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Ele pediu a transcrição nos Anais do artigo -Devagar com o andor-, de autoria do economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, segundo o qual o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) cometeu um erro no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre.
De acordo com o artigo, publicado no jornal Folha de S. Paulo, os números da produção industrial do período estariam superestimados em quase 1%. Além disso, o texto questiona a metodologia de se multiplicar por quatro o crescimento do PIB no primeiro trimestre sobre o último trimestre de 2003 - de 1,6%. Na opinião do economista, o Brasil não está crescendo 6% ao ano, como teria afirmado recentemente o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
- O artigo mostra que o otimismo deve ser contido - afirmou Eduardo Azeredo, ao comentar as observações feitas por Mendonça de Barros.
Ex-ministro das Comunicações e ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no governo Fernando Henrique Cardoso, o autor do artigo citado pelo senador aponta ainda o desequilíbrio existente entre os níveis de atividade econômica entre os vários setores da economia brasileira.
Entre o primeiro trimestre de 2004 e o trimestre anterior, ressaltou, o consumo das famílias cresceu apenas 0,3%, enquanto a expansão das exportações alcançou a marca de 47%. -A economia está crescendo em razão do vigor de nossas exportações, mas ainda não chegou ao cidadão comum-, sustenta Mendonça.
Ensino
O senador Eduardo Azeredo solicitou ainda a transcrição nos Anais do artigo -Populismo no ensino superior-, de autoria do ex-ministro de Educação Paulo Renato Souza, publicado no jornal O Estado de S. Paulo. A seu ver, o texto demonstra que as medidas recentemente anunciadas pelo governo na área de ensino superior -podem comprometer a qualidade construída ao longo de várias décadas em nossas instituições públicas de ensino, em nome de uma suposta democratização no acesso a esse nível de ensino-.
O senador se referia a mudanças na realização do Exame Nacional de Cursos, o chamado Provão, que passará a ser trienal e por amostragem; ao condicionamento da abertura de novos cursos à demanda social em cada cidade ou região; e à criação do programa Universidade para Todos. As três medidas são examinadas no artigo pelo ex-ministro da Educação do governo Fernando Henrique.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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