Valadares defende pesquisas de urânio enriquecido
Da Redação | 09/06/2004, 00h00
Na opinião do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), o Brasil não deve ceder a nenhum tipo de pressão, especialmente dos Estados Unidos, para parar as pesquisas de enriquecimento de urânio. Segundo ele, as reservas e o controle tecnológico deste elemento são estratégicos e ambicionados por todo o mundo, pois podem significar a auto-suficiência energética nuclear do país que dominar a tecnologia do urânio.
- O que está em jogo para nosso país é a possibilidade concreta e estratégica de sairmos daquele círculo vicioso de termos que enviar nossa pasta de urânio bruto para ser processada lá fora ao custo de milhões de dólares, ao custo da dependência tecnológica, quando podemos, perfeitamente, ser completamente auto-suficientes nesse combustível cobiçadíssimo e ainda poupar e gerar divisas - afirmou Valadares, lembrando que apesar de o Brasil dispor de pesquisas avançadas sobre o urânio ainda depende do Canadá, da Alemanha e dos Estados Unidos, dos quais importa urânio enriquecido.
O parlamentar disse que o verdadeiro motivo do incômodo dos Estados Unidos tem raízes no recente acordo nuclear firmado entre o Brasil e a China para desenvolvimento de parceria em um programa nuclear. Segundo Valadares, ao contrário das argumentações norte-americanas, de que o desenvolvimento de pesquisas brasileiras de urânio poderiam representar algum risco para a proliferação de armas nucleares, o que existe é receio dos Estados Unidos da independência brasileira neste setor.
- O Brasil não está inserido no chamado eixo do mal, ao lado de países que são tomados pelos Estados Unidos como interessados em urânio enriquecido para fins militares. Ora, esse nunca foi e nem é o caso do Brasil, que já assinou os dois principais tratados internacionais contra o uso militar do urânio. Nós não temos qualquer tradição nesse campo das armas nucleares - destacou Antonio Carlos Valadares.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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