Gol defende promoção, enquanto outras empresas de aviação condenam guerra tarifária

Da Redação | 27/05/2004, 00h00

Na audiência pública realizada nesta quinta-feira (27) pela Subcomissão de Turismo, vinculada à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), enquanto o representante da Gol tentou explicar as vantagens da promoção que vendeu passagens aéreas por R$ 50, os dirigentes das demais empresas aéreas condenaram a guerra tarifária e chegaram a duvidar da viabilidade da promoção. O vice-presidente de gestão da Gol, Wilson Maciel Ramos, afirmou que as técnicas modernas de administração e gestão da empresa tornam possíveis as promoções.

Apresentando dados, ele justificou que a empresa fez cálculos sobre os custos variáveis do transporte adicional de um passageiro para chegar à fórmula da promoção, segmentando o mercado e levando ao aumento da ocupação dos vôos.

Nesse sentido, ele explicou que nem todos os vôos e nem todos os horários foram incluídos na promoção, que tinha como condições a compra de passagem de ida e volta com antecedência mínima de 10 dias, com permanência mínima de duas noites no destino e com venda de bilhetes e embarque entre 10 de maio e 4 de junho.

Com esses requisitos, o representante da Gol afirmou que apenas 10% dos passageiros regulares seriam transferidos para a tarifa promocional e que essa perda de receita estaria devidamente computada. Os custos variáveis de cada passageiro, de acordo com ele, ficariam em R$ 17,09, o que levaria a um custo adicional de R$ 648 mil por semana, que seria coberto por uma receita de R$ 2,678 milhões no mesmo período.

Já o presidente da TAM, Marco Antônio Bologna, ponderou que usar o custo marginal variável é perigoso no caso de uma linha aérea, especialmente no Brasil, onde a receita por assento vendido em um vôo é cerca de 45% inferior à média internacional. No caso da promoção da Gol, Bologna apontou que a tarifa aplicada seria proporcional a apenas 25% da tarifa média cobrada pela Gol.

- A indústria deve evoluir para uma estrutura tarifária sólida, o que levaria a um código de conduta entre as companhias aéreas para que os preços não fossem distorcidos - afirmou Bologna, que pediu mudanças na regulação do setor.

Ele rechaçou a possibilidade de estar havendo um processo de cartelização do setor pela TAM e pela Varig, após o codeshare (vôos compartilhados) entre as empresas. Ele apresentou dados que apontam que o crescimento e a rentabilidade da Gol continuaram após o codeshare, indicando que, desde então, houve uma tendência de equilíbrio de preços.

Jogada de marketing

Mais incisivo, o presidente da Vasp, Wagner Canhedo, afirmou que a promoção da Gol foi apenas uma jogada de marketing e que o Departamento de Aviação Civil (DAC) tomou a decisão necessária, sem limitar uma política de preços aberta do mercado.

- A Gol estava fazendo marketing em cima de um valor que não cobre custos diretos ou indiretos. A cobertura de gastos não é bem verdadeira - duvidou Canhedo, pedindo cuidado para que as empresas não promovam uma concorrência predatória e o fortalecimento do DAC. Assim como o presidente da TAM, Canhedo reclamou da alta do preço dos combustíveis que, segundo ele, começam a inviabilizar o transporte aéreo.

O representante da Varig, Delfino da Costa Almeida, apresentou um histórico da composição de preços de empresas aéreas para demonstrar que a guerra tarifária levou ao fim de diversas empresas nos Estados Unidos e a grandes prejuízos para as empresas estatais européias.

Como as empresas aéreas brasileiras têm 60% de seus custos atrelados ao dólar, Delfino afirmou que resta pequena margem para fazer promoções e que o grande desafio é garantir que os passageiros de eventos e negócios não migrem para as tarifas promocionais direcionadas ao lazer.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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