Governo está paralisado e desarticulado, diz Demostenes

Da Redação | 23/03/2004, 00h00

O senador Demostenes Torres (PFL-GO) evidenciou os fatos que a seu ver demonstram o crescente descontentamento da população com a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pela sua desarticulação e falta de realizações. Das vaias em frente ao Hotel Copacabana Palace (RJ), direcionadas ao presidente Lula durante espetáculo em homenagem a Ayrton Senna, às brigas internas entre ministros, passando pelo escândalo da Casa Civil e pelo distanciamento entre as ações e as promessas de campanha, além da falta de verbas em áreas estratégicas para o desenvolvimento do país, o senador pontuou exemplos do que chamou de "paralisia administrativa" do governo.

- O que se percebe é que não há um governo de fato, mas uma organização frágil, estabanada e de escasso talento administrativo que entoa "Meu mundo caiu" a cada palavra ou declaração - disse o senador.

Demostenes defendeu o ministro Roberto Rodrigues, no episódio em que o titular da Agricultura desabafou sua indignação pelo fato de ter esperado seis meses para ser recebido pelo seu colega do Planejamento, Guido Mantega, para resolver a greve dos fiscais federais agropecuários. Ele lembrou que foi com muita propriedade que coluna do jornal O Globo, na edição desta terça-feira (23), aponta Mantega como o ministro que lidera as insatisfações contra o governo. O senador elogiou o ministro Antonio Palocci, "um dos poucos quadros diferenciados no ambiente geral de mediocridade da Esplanada".

Com base em dados divulgados pela edição dominical do jornal O Globo, Demostenes destacou algumas comparações que revelam o "distanciamento abissal" entre as promessas de campanha e as realizações do governo Lula. Dos R$ 13,9 bilhões que deveriam ser investidos em 2003, o governo só liberou R$ 3,7 bilhões (26,6% do total), sendo R$ 1,4 bilhão somente neste exercício.

A manutenção da malha rodoviária só recebeu 27,2% do total previsto de R$ 1,1 bilhão, o programa de combate ao crime organizado só R$ 2,3 milhões dos R$ 7,8 milhões orçados e o programa nacional anti-drogas apenas 8,3% do que estava programado.A situação em 2004, segundo o senador, continua grave: de um total de investimentos de R$ 11,7 bilhões apenas R$ 103 milhões foram liberados até agora, "sendo quase a metade para pagar a aeronave presidencial". Também criticou a falta de repasses de recursos federais para Goiás, que recebeu apenas 14% da dotação de R$ 1,2 bilhão autorizada para o estado.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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