Fátima Cleide fala sobre história de dor e humilhação das mulheres da Amazônia

Da Redação | 09/03/2004, 00h00

Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, a senadora Fátima Cleide (PT-RO) expôs nesta terça-feira (9) drama que, segundo ela, não está em nenhum livro de história: a formação da família na Amazônia, principalmente na parcela mais ocidental, foi feita com base na sujeição e transformação das mulheres da região em mercadorias.

Citando a ministra do Meio Ambiente e senadora licenciada Marina Silva, Fátima disse que, depois de uma fase de ocupação por grupos de homens seringueiros, foram se formando os primeiros núcleos familiares por meio da captura de índias nas aldeias dizimadas. Elas eram escravizadas e obrigadas a acasalar-se com seringueiros. Trabalhadores com crédito junto a seus patrões muitas vezes receberam em pagamento mulheres trazidas de Belém ou Manaus.

- Esta é talvez a situação na história do Brasil em que a mulher foi colocada da maneira mais explícita na condição de objeto - afirmou a senadora.

Índias, negras, brancas e caboclas, essas "bravas mulheres" têm trabalhado na confecção de artesanatos, na roça, na extração do látex, como parteiras e até como armadoras e soldadoras na hidrelétrica de Tucuruí (PA), conforme registros do fotojornalista Pedro Martinelli publicados no livro Mulheres da Amazônia.

Para a senadora, a presença feminina também não pode continuar invisível nas leis elaboradas no Congresso Nacional. Por isso, explicou, foram trazidos para exposição no Parlamento produtos e artesanatos indígenas feitos por mulheres, que ficarão à disposição do público até o dia 12 no Senado Galeria. Organizada pelo gabinete da senadora, com o apoio do senador Sibá Machado (PT-AC), a mostra faz parte das atividades do Senado previstas para o Ano da Mulher.

Fátima Cleide aproveitou para pedir apoio integral ao projeto de lei da deputada Luci Choinacki (PT-SC), que estabelece aposentadoria para as donas-de-casa (PEC 385/2001), em tramitação na Câmara. Ela disse ter se empenhado com o Ministério da Previdência, quando ainda na gestão de Ricardo Berzoini, para que essas mulheres fossem incluídas no sistema previdenciário, mas os resultados de um trabalho interministerial "não contemplam satisfatoriamente o trabalho doméstico não remunerado".

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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