CPI sobre campanhas não impede investigação do caso Waldomiro Diniz, segundo Antero e Almeida Lima
Da Redação | 17/02/2004, 00h00
A proposta de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar irregularidades no financiamento de campanhas eleitorais, na opinião dos senadores Antero Paes de Barros (PSDB-MT) e Almeida Lima (PDT-SE), deve ser desvinculada do requerimento para criação da CPI para apurar irregularidades cometidas pelo ex-assessor de Assuntos Parlamentares do Palácio do Planalto, Waldomiro Diniz, e suas ligações com o jogo do bicho.
Antero afirmou que já tem preparado o requerimento que pede a investigação das campanhas eleitorais, mas deixou claro que a idéia não elimina a necessidade de analisar a influência de Waldomiro Diniz dentro do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
- Se quiser investigar as campanhas eleitorais desde 1500, não tem problema nenhum. O que eu não quero é misturar as estações, porque tentar colocar tudo junto é uma tentativa de evitar a investigação. Quer investigar todas as campanhas eleitorais? Ótimo, não tem problema nenhum. Eu concordo e colho assinaturas. Aliás, já mandei redigir o documento. Agora isso deve ser feito numa outra CPI - avaliou Antero.
A ponderação de Antero, que é o presidente da CPI do Banestado, leva em conta que não há nenhuma comissão de inquérito ou requerimento para sua criação aguardando pela instalação no Senado. A CPI do Banestado, explicou, é mista, ou seja, composta por deputados e senadores, e não interfere na instalação de uma comissão composta exclusivamente por senadores.
Antero informou que ainda não sabia se o seu requerimento para investigar as denúncias contra o ex-assessor do Planalto já reuniu as assinaturas necessárias na manhã desta terça-feira (17), tendo em vista que o documento está circulando pelo Senado em busca do apoio dos 27 senadores regimentalmente necessários para a abertura da CPI.
O senador Almeida Lima (PDT-SE), que já assinou o requerimento de Antero, também considera que o importante é apurar o ato de corrupção praticado pelo ex-assessor do Planalto. A destinação dada aos recursos obtidos por meio da corrupção, interpretou o senador, é outro assunto, que não deve desviar a atenção do primeiro.
- Porque o governo está com receio da CPI? A não aceitação da CPI é a emissão de uma certidão de inidoneidade. Ou seja, o sustentáculo, que sempre foi usado pelo PT, de comportamento e de defesa ético-moral está ruindo, como ruiu o sustentáculo do desenvolvimento econômico e social - afirmou Almeida Lima.
O senador pediu que a sociedade, a imprensa e a classe política devem se mobilizar para que a CPI seja instalada e os fatos, verificados.
- As reportagens apontam inclusive que o Waldomiro, além do ato identificado nas imagens, tem vinculações mais aprofundadas com o mundo do crime, inclusive com a máfia italiana - observou.
Ele anunciou que todos os senadores do PDT devem assinar o requerimento de criação da CPI, porque a iniciativa faz parte do programa do partido.
- Como é programático, já há um compromisso prévio dos parlamentares de se comportarem dessa forma. Por essa razão, independentemente de reunião de bancada, já assinei o requerimento - disse Almeida Lima.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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