Presidente diz que tratado de anexação do Acre é marco para política externa

Da Redação | 12/11/2003, 00h00

O presidente do Senado, José Sarney, afirmou nesta quarta-feira (12) ao dirigir os trabalhos da sessão solene do Congresso em homenagem ao centenário do Tratado de Petrópolis - que incorporou ao Brasil o estado do Acre - que o episódio foi fundamental para a história diplomática do país. Ele ressaltou a atuação do Barão do Rio Branco, que negociou o acordo, e disse que o tratado ditou os rumos futuros de nossa política externa.

- O caso do Acre se afastou dos outros problemas de fronteira do Brasil, quase todos conduzidos pelo pulso firme do Barão. Nos outros casos, tratava-se de defender direitos históricos, ameaçados por interpretações de tratados - disse ele ao observar que, mesmo possuindo limites com dez países, o Brasil não tem hoje conflitos de fronteira por causa do modelo aplicado pelo Barão do Rio Branco.

A luta pelo Acre, explicou José Sarney, teve origens econômicas, ligadas à navegação, e "em sonhos e fantasias de internacionalização da Amazônia" por outros países. A ambição das nações vizinhas - Equador, Peru e Bolívia - era de livre acesso aos rios brasileiros, o que, segundo observou o senador, era assinalado pelo Visconde de Uruguai como "pretexto para internacionalização da navegação, o que faria desaparecer a nacionalidade, a língua e a raça substituída".

Mas aconteceu o contrário, afirmou o senador, relatando que o território almejado foi ocupado por brasileiros, especialmente nordestinos do Ceará. Quando a Bolívia reivindicou para si o território, o povo ali sediado resistiu.

- Entre o Brasil e a Bolívia não podiam vacilar e já que não podiam ser brasileiros, resolveram não ser bolivianos - atentou Sarney, citando Campos Sales. Seguiram-se a partir daí, detalhou o senador, os embates entre os exércitos e o povo acreano e a "Revolução Acreana foi a resposta da população brasileira do Acre, que desmontou a conspiração internacional".

Na opinião do senador José Sarney, a data de 17 de novembro de 2003 - em que o tratado completa cem anos - deve ser comemorada mutuamente pelo Brasil e pelo Acre, já que a população deste estado voltou à pátria e também porque a política externa foi assentada. "Brasil e Acre assim se comemoram", enfatizou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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