Arthur Virgílio protesta pelo uso de "insulfilm" no carro presidencial

Da Redação | 08/10/2003, 00h00

O flagrante da colocação de película insulfilm nos vidros do carro oficial usado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, publicado no último sábado pelo jornal O Globo, suscitou protestos em Plenário do líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). Motivou ainda a liderança tucana a apresentar projeto de lei para proibir o uso dessa película, que pela Resolução 73 do Contran (Conselho Nacional de Trânsito) deve ter 70% de transparência, em todos os veículos oficiais.

- Como o povo é quem paga pelo uso do carro oficial, tem o direito de saber o que se faz dentro desses veículos - afirmou. As críticas de Arthur Virgílio ao governo petista, entretanto, não se resumiram a esse episódio. Em seu discurso desta quarta-feira (8), apontou uma -desproporção que inquieta e extrapola todos os limites- entre a imagem passada pelo presidente Lula e a realidade do atual governo.

Com base em recente editorial de O Estado de S. Paulo, o senador pelo Amazonas atestou que os reparos ao -caminhar da carruagem governista- não são reclamados apenas pelo PSDB. A exemplo do líder tucano, o jornal afirma que -chegou a um nível sem precedentes a discrepância entre o radioso governo virtual das falas presidenciais e o menos que satisfatório governo da realidade-.

De acordo com Arthur Virgílio, até personalidades próximas do governo Lula não lhe pouparam críticas. Enquanto dom Mauro Morelli, bispo de Duque de Caxias, declarou à imprensa que -o governo pouco fez naquilo que lhe compete fazer em todos os níveis de governo-, o deputado federal Fernando Gabeira (RJ) anunciou seu desligamento do PT, essa semana, alegando incoerência na condução da política ambiental do país.

Em aparte, o senador Jefferson Péres (PDT-AM) exaltou a disposição do líder tucano em permanecer na oposição, ao contrário de muitos oposicionistas que migraram recentemente para a base governista. -Ah, se todos agissem como Vossa Excelência-, exaltou Jefferson Péres, afirmando que a corrosão ética no governo, marcada pelo loteamento de cargos federais nos estados e pelo fisiologismo no Congresso, é algo extremamente preocupante.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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