CPI do Banestado pode ter prazo prorrogado

Da Redação | 24/09/2003, 00h00

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o Banestado, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), decidiu propor, nesta quarta-feira (24), juntamente com o relator, deputado José Mentor (PT-SP), a prorrogação do prazo de funcionamento da CPI.

- Reunimos enorme quantidade de dados e informações sobre a evasão de divisas, quebramos o sigilo de milhares de contas bancárias e está em pleno processo de investigação. Precisamos de mais tempo para chegarmos aos nomes dos responsáveis pela gigantesca evasão de divisas - afirmou o senador.

Os parlamentares devem avaliar, nesta quinta-feira (25), a criação de subcomissões temporárias, integradas por quatro parlamentares cada uma, para realizar diligências nos estados.

Foi secreta a reunião da CPI nesta quarta-feira. Foram ouvidos os depoimentos dos funcionários do Banco do Brasil Antônio Araújo dos Santos, da área de valores, e Theógenes Silva Rocha de Oliveira, da área internacional, além do ex-gerente da agência de Foz do Iguaçu (PR) Luiz Antônio Paganini.

O presidente da CPI, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), informou, antes de a reunião tornar-se secreta, que os membros da comissão foram convidados pelo Banco do Brasil a participar nos próximos dias 1o e 2 de outubro de seminário sobre a prevenção da lavagem de dinheiro. São esperados no seminário o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, o juiz italiano Giovanni Salvi e o ex-senador italiano especialista em segurança, Pino Alati. Salvi fez parte do grupo de magistrados combateu a Máfia na Itália.

A CPI investiga a remessa ilegal de cerca de US$ 30 bilhões para o exterior, por meio das chamadas contas CC-5, destinadas a brasileiros que residem fora do país e para empresas com sede no exterior. A comissão foi criada para apurar denúncias publicadas na imprensa sobre as responsabilidades sobre a evasão de divisas do Brasil que teriam sido enviadas para a agência de Nova York do Banestado e depois remetidas para os chamados paraísos fiscais.

O assunto foi investigado pela Operação Macuco, realizada pela Polícia Federal. Parte das evasões, conforme vem apurando a CPI, foi feita pelo Banco Araucária, no Paraná. A evasão teria sido feita entre 1996 e 2002 e deve envolver entre 100 e 200 pessoas, segundo depoimentos feitos na CPI.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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