Capiberibe destaca atuação dos EUA em golpe militar

Da Redação | 11/09/2003, 00h00

Autor do requerimento para a sessão especial no Senado em homenagem ao ex-presidente chileno Salvador Allende, o senador João Capiberibe (PSB-AP) destacou nesta quinta-feira (11) o que classificou de ingerência norte-americana nas rupturas institucionais que ocorreram nos países latino-americanos após a década de sessenta e, em especial, na transformação do regime democrático chileno na ditadura militar de Augusto Pinochet.

Capiberibe, que se exilou no Chile durante o período Allende, traçou uma retrospectiva histórica da atuação dos Estados Unidos nos episódios que culminaram com o fim da democracia chilena. Citou informações do livro do embaixador americano em Santiago, Nathaniel Davis - Os dois últimos anos de Salvador Allende - para mostrar que o então secretário de Estado Henry Kissinger considerava o presidente chileno uma ameaça mais danosa para a hegemonia americana do que Fidel Castro.

- Sabia que o novo regime poderia se converter em um exemplo emblemático de transformações sociais para o nosso continente dentro dos marcos de uma democracia representativa - contou Capiberibe.

Ele ressaltou os gastos norte-americanos para desestabilizar o regime chileno: US$ 425 mil gastos pela Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) para evitar que Allende vencesse as eleições e a oferta de Richard Nixon de US$ 10 milhões para desalojá-lo do poder.

O senador rememorou o programa do governo Allende, baseado em 40 pontos, entre eles a nacionalização das minas de cobre em mãos de empresas norte-americanas, o golpe e os 17 anos de perseguições, torturas e mortes ocorridas na ditadura militar. Considerou que a tragédia americana das Torres Gêmeas de Nova York, que "por um paradoxo e ironia da História" ocorreu na mesma data do golpe de estado chileno, "é sem dúvida um divisor de águas histórico". Segundo o senador, esse fato condicionou "a atual conjuntura internacional, com contornos sombrios que caminham para o intervencionismo, o unilateralismo, o desprestígio das Nações Unidas e a arrogância".

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

MAIS NOTÍCIAS SOBRE: