Fusão da Varig e TAM pode agravar desemprego, alerta Lúcia Vânia

Da Redação | 26/08/2003, 00h00

A fusão das empresas aéreas TAM e Varig, aparentemente viável, pode agravar o desemprego, não só na aviação civil, mas em outros setores relacionados ao transporte, disse a senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO) nesta terça-feira (26) ao comentar o tema. Ela informou que a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) promove nesta quarta-feira (27) audiência pública para debater a fusão das duas empresas, atendendo a requerimento conjunto dela própria e do senador Paulo Paim (PT-RS).

De acordo com a senadora, em um setor que representa cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB), com impacto direto de US$ 6,7 bilhões e indireto de US$ 18 bilhões, gerando 35 mil empregos diretos, é possível que a fusão venha a eliminar de 6 mil a 25 mil vagas e ameaçar o emprego de 20 mil trabalhadores e prestadores de serviço às empresas de refeições preparadas. A Sadia é uma dessas empresas e já efetivou cem demissões por conta da crise na aviação civil, acrescentou.

Para Lúcia Vânia, um possível complicador do processo de fusão seria o grande poder de mercado que a futura empresa passaria a deter, pois controlaria mais de 65% do mercado, contra 14% da Vasp, 18% da Gol e 3% de pequenas empresas.

- O desempenho da aviação civil é indispensável ao desenvolvimento da economia. Os altos custos fixos do setor e a concentração de rotas e aeroportos limitam a quantidade de empresas que podem atuar nesse mercado, bem como os altos padrões de segurança e de qualidade dos serviços recomendam uma especial fiscalização das atividades - afirmou a senadora, chamando a atenção para a gravidade da situação.

Segundo Lúcia Vânia, a crise nas empresas de aviação comercial decorre basicamente do aumento dos custos e da redução da demanda, provocada pela retração na economia. A desvalorização do real afetou também duramente o setor, observou, uma vez que seus principais insumos são cotados em dólar. Outras razões para a crise seriam as oscilações nos preços internacionais e a ineficiência da gestão de algumas empresas, completou, ressaltando que as empresas reivindicam na Justiça indenizações da União de quase R$ 5 bilhões, em virtude de prejuízos decorrentes do congelamento de tarifas ocorrido entre 1986 e 1993.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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