Procurador diz que Banco Rural também foi usado para a evasão de divisas
Da Redação | 24/07/2003, 00h00
Em depoimento à CPI do Banestado, nesta quinta-feira (24), o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima revelou que o Banco Rural também era utilizado pelo esquema montado em Foz do Iguaçu (PR) para a evasão de divisas por meio de contas de não residentes, chamadas de CC-5.
Embora não tivesse autorização especial do Banco Central para operar com as transportadoras de valores, disse o procurador, o Rural entrou no -esquema criminoso- quando começou a abrigar contas de -laranjas-. -O Banco Rural não esteve envolvido enquanto o esquema foi apenas do trânsito de valores por carros-fortes-, esclareceu.
Santos Lima afirmou que a estrutura inicial para evadir divisas por meio de carros-fortes que transitavam com os reais pela Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu, era -relativamente simples- e envolvia cassinos, casas de câmbio e bancos com agências na região. Segundo o procurador, havia ramificações inexpressivas para outros pontos do país, como Belo Horizonte, mas a operação estava concentrada naquela fronteira.
Com o início das investigações pelo Ministério Público da União, em abril de 1997, e o pedido de fiscalização sobre os valores transportados por carros-fortes, apontou o procurador, o esquema foi se sofisticando. Ele contou que o trânsito de valores em espécie diminuiu e o -esquema começou a se valer dos laranjas nas operações com as contas CC-5-.
Santos Lima lamentou que o Ministério Público esteja sempre correndo atrás do ilícito. -Estamos hoje falando de um esquema de contas de laranjas que já não existe mais-, afirmou o procurador, que trabalhou em Foz do Iguaçu de 1995 a 1997, sendo depois transferido para a capital paranaense. Ele disse que atualmente as operações são muito mais sofisticadas e já foram detectadas em Blumenau (SC) e em Curitiba (PR).
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
MAIS NOTÍCIAS SOBRE: