Meirelles declara compromisso com metas de inflação
Da Redação | 17/12/2002, 00h00
Na exposição inicial que fez nesta terça-feira (17) à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), o indicado para ocupar a Presidência do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, declarou que a recuperação da credibilidade do sistema de metas de inflação e a estabilidade dos preços deve ser o -único mandato do Banco Central-. Ele também afirmou que o regime de câmbio flutuante é o -mais adequado- para o Brasil.
O escolhido pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva para a presidência do BC disse ainda que irá trabalhar para a redução da taxa de juros, desde que isso não ponha a moeda em risco. A recuperação do crédito público a custos menores, afirmou, depende de uma sintonia entre as diretrizes do governo, em especial do Ministério da Fazenda, por meio da geração de um superávit primário que equilibre a relação entre dívida e o Produto Interno Bruto (PIB).
Esse compromisso, disse Meirelles, já foi assumido pelo futuro ministro da Fazenda, Antônio Palocci. Meirelles defendeu um aumento do superávit primário acima do percentual estabelecido no acordo com o Fundo Monetário Internacional, definido em 3,88% para 2003. De acordo com Meirelles, Lula e Palocci também já estão convencidos da necessidade de que o BC tenha autonomia operacional sobre os instrumentos de controle da política monetária.
Dentro da estrutura do BC, Meirelles afirmou que, caso seja aprovado pelo Senado, vai continuar estimulando a modernização das áreas de supervisão e normas que colocaram o BC como referência internacional na gestão do sistema financeiro. Elogiando o corpo técnico do banco, ele destacou que incentivará o sistema de fiscalização para garantir estabilidade do sistema bancário. O indicado declarou ainda defender a diminuição do spread bancário para baratear o crédito ao consumidor e o microcrédito.
- Aceitei esse convite por estar convencido de que estamos em um momento histórico. Lula e eu já discordamos em vários pontos, mas o Brasil nos aproximou. Estou consciente das dificuldades, mas disposto a enfrentá-las - declarou Meirelles, destacando as prioridades dadas à retomada do crescimento econômico e à redução das desigualdades sociais indicadas pelo governo de Lula.
Meirelles disse ainda que o antagonismo entre estabilidade e crescimento é falso, já que a finalidade de qualquer política econômica é o crescimento.
- O debate concentra-se nas causas do sucesso ou fracasso das diversas políticas econômicas - disse.
Ele disse esperar que o ganho de produtividade e aumento da taxa de poupança doméstica sejam as alavancas para o crescimento econômico. Para isso, continuou, é preciso estimular que a sociedade invista na produção e não no financiamento do setor público.
Meirelles avaliou que o crescimento econômico não é suficiente para o bem-estar social e, por isso, programas do governo como o Fome Zero são importantes. Destacou a prioridade do governo de investir em capital humano e social para melhorar a qualidade da força de trabalho, por meio da oferta de melhores condições de saúde, educação e moradia.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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