Bernardo Cabral se despede agradecendo ao povo amazonense
Da Redação | 11/12/2002, 00h00
Emocionado e agradecendo ao eleitor amazonense por ter feito dele, nos últimos oito anos, um orgulhoso representante do estado, o senador Bernardo Cabral (PFL-AM) se despediu, nesta quarta-feira (11) do Senado. Antes de ser aplaudido por um plenário lotado, ele encerrou o discurso mencionando o seguinte ensinamento do seu pai: -feliz do homem público que carrega consigo as cicatrizes orgulhosas do dever cumprido-.
Dizendo-se um homem sem ganâncias materiais, mas provido de valores morais e espirituais, ele sustentou que jamais se submeteu a pressões de interesses particulares contrariados, nem de grupos insensíveis ao interesse público.
- Também não me viram, em nenhum instante, participar como conviva do banquete da calúnia, injúria ou difamação, recursos que jamais substituirão os argumentos - disse.
Nessa despedida, Cabral lembrou 1967, quando chegou à Câmara dos Deputados, com pouco mais de 30 anos, e foi escolhido vice-líder da oposição, então comandada por Mário Covas. Ele recordou que, como muitos outros parlamentares, foi cassado pelo regime militar, tendo os direitos políticos suspensos por 10 anos. Emocionado, lembrou que seu reencontro com o Parlamento veio com a Assembléia Nacional Constituinte, onde foi relator.
Sobre o momento atual, disse que não compreende as razões de estado de -algumas falsas democracias- que permitem, por omissão, a morte de milhares de crianças por inanição.
- Se não há pelotões de fuzilamento, a fome se encarrega de destruir essa preciosa reserva humana - disse ele, oferecendo esses comentários como reflexão para o próximo governo.
Judiciário
A respeito da Reforma do Judiciário, projeto do qual é relator, o parlamentar disse que esse não é o texto ideal, mas o possível no momento atual, com os atuais quadros político-institucionais. Em sua opinião, trata-se de um texto que contém instrumentos efetivos e imediatos de solução para a grande maioria dos problemas enfrentados pela justiça. Sobre o trabalho que lhe deu a relatoria, ele fez o seguinte comentário:
- Insultado, ofendido, noites em claro, fins de semana desperdiçados, férias não gozadas, talvez tenha eu feito uma ingrata peregrinação, espécie de romeiro desapontado, pois acabou ficando às claras que, ao invés de elevar-se o percentual do debate, de forma racional, se fez o pior: ficou reduzida a zero a taxa de responsabilidade na discussão das profundas e preocupantes questões que afligem o Judiciário.
Mas o senador disse que é hora de jogar fora as eventuais mágoas e cultivar apenas as boas lembranças. Cabral disse estar despedindo-se de todos: do senador governista, do oposicionista, dos funcionários - do mais graduado ao mais humilde - , da consultoria legislativa e, -sobretudo, dos leais companheiros- do seu gabinete de apoio.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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