Requião pede renúncia de dirigentes e definição de rumos no PMDB
Da Redação | 31/10/2002, 00h00
Governador eleito do Paraná, o senador Roberto Requião (PMDB) exigiu em Plenário, nesta quinta-feira (31), a renúncia da cúpula dirigente do partido e a convocação de uma convenção nacional para decidir os rumos da legenda frente ao governo Lula. Requião não reconhece a legitimidade da reunião da Executiva do partido com os cinco governadores eleitos, anunciada para a próxima semana, para definir se o PMDB irá fazer oposição ou aderir à gestão do PT na Presidência da República.
- Mal orientado e conduzido, o PMDB afundou em um tremendo desastre eleitoral - afirmou, em alusão ao apoio à candidatura presidencial do senador José Serra (PSDB-SP). O senador pelo Paraná lembrou -ter brigado muito- para que seu partido tivesse uma posição independente, afinada com os anseios de mudança da população brasileira, e candidato próprio a presidente da República. No entanto, a sigla teria optado por adotar -uma posição arcaica de adesismo remunerado-.
- Estranho a arrogância dos líderes (do PMDB) que passam por cima das bases partidárias e fazem alianças absurdas que só atendem ao fisiologismo - declarou Requião, que se diz disposto a -perdoar- esses dirigentes por -erros- na condução do processo político-partidário. Mas condiciona esse perdão, no entanto, ao cumprimento de um rito específico, inspirado na doutrina católica: arrependimento, confissão pública e penitência.
Censura
As considerações de Roberto Requião sobre a conduta do PMDB na eleição presidencial não se restringiram ao Plenário do Senado. Segundo informou, as mesmas foram objeto de entrevista ao Jornal do Brasil, mas sua publicação teria sido -censurada- pelo líder do partido no Senado, Renan Calheiros (AL). -Não entendo que o Renan leia antes a entrevista que dei, reclame dela e no dia seguinte saia a dele e a minha seja suprimida-, protestou.
Em aparte, o senador José Fogaça (PPS-RS) expressou apoio às reflexões de Requião ao também cobrar de seu partido uma postura -clara e ética- frente ao próximo governo. -Não pode haver adesismo do PPS em troca de vantagens e favorecimento pessoal-, sustentou. Diante das possíveis dificuldades de Lula em montar sua base de apoio parlamentar, Fogaça teme que seja instalado um -bazar persa- no Congresso Nacional, abrindo-se o flanco para uma composição política baseada em trocas de interesses, influências e em vantagens pessoais.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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