Escolha do sistema digital para TV tem que ser cuidadosa, adverte Antonio Carlos Júnior
Da Redação | 27/09/2002, 00h00
O senador Antonio Carlos Junior (PFL-BA) considera essencial que o processo de escolha do modelo para TV digital no país seja marcado pelo debate aprofundado da questão. Ele alerta para o risco de que a definição do novo modelo, sendo feita de forma apressada, traga transtornos para os usuários.
É fundamental que não tomemos decisões apressadas como ocorreu com o sistema Palm-M, no início da década de 70, nas televisões coloridas, quando o Brasil ficou isolado do mundo. É bom lembrar que, na compra dos primeiros vídeo-cassetes, tornava-se necessário fazer a transcodificação para que funcionassem a cores. Sofremos muito com isso e não podemos sofrer de novo - argumentou o senador .
Em debate ontem na Comissão de Tecnologia Digital do Conselho de Comunicação Social - órgão de assessoramento do Congresso Nacional instalado neste ano - especialistas de universidades e institutos tecnológicos brasileiros admitiram que o Brasil perdeu a oportunidade para desenvolver seu próprio padrão digital e precisa agora escolher entre os quatro sistemas em desenvolvimento no mundo (norte-americano, europeu, japonês e chinês). Eles alertaram também para a necessidade de que a escolha seja extremamente cuidadosa, levando em conta o que já existe no país, para que não se destrua o parque industrial de receptores de tevê e computadores (software e hardware).
Participaram do debate - o primeiro de uma série que está sendo programada pela Comissão de Tecnologia Digital - especialistas como o engenheiro eletricista Marcelo Knörich Zuffo, professor da Universidade de São Paulo (USP) e Max Henrique Machado Costa, professor da Universidade de Campinas (Unicamp). A Comissão também pretende ouvir representantes dos fabricantes de modelos para TV Digital e especialistas em software.
O objetivo desses encontros é subsidiar resposta à consulta feita pela Mesa do Senado, em agosto deste ano, sobre a posição do Conselho em relação à digitalização na área de comunicação do país.
No diário oficial do último dia 12, o governo federal publicou a Política para Adoção de Tecnologia Digital no Serviço de Radiodifusão de Sons e Imagens no Brasil, figurando entre suas finalidades a melhora da qualidade de imagens e áudio e a convergência dos serviços de telecomunicações.
Nesta política, prevêem-se incentivos e estímulos para os setores envolvidos em razão dos altos investimentos decorrentes da mudança de padrão analógico para o digital, prazos e condições para as concessionárias de TV realizarem a alteração e estímulo ao parque industrial nacional para que os equipamentos de transmissão e televisores digitais sejam majoritariamente fabricados no Brasil. Ressaltando que a transformação deve levar em conta o interesse do consumidor, garante-se na política que a TV digital terrestre será aberta, livre e gratuita.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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