Teotônio elogia acordo para redução do efeito estufa que estimula produção de álcool
Da Redação | 10/09/2002, 00h00
O acordo firmado entre o governo brasileiro e o governo alemão para realizar o primeiro grande projeto mundial de redução do efeito estufa foi elogiado nesta terça-feira (10) pelo senador Teotônio Vilela (PSDB-AL). Ele explicou que o acordo foi assinado no último dia 2 de setembro em Joanesburgo, na África do Sul, durante a reunião da Cúpula da Terra promovida pela ONU. O termo de compromisso foi assinado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo primeiro ministro da Alemanha Gerhad Schroeder.
O senador explicou que o objeto do acordo é a compra, pela Alemanha, do resgate de carbono e da melhoria ambiental proporcionada pela venda, no Brasil, de 100 mil novos carros a álcool.
- Esse compromisso é um exemplo para o mundo de que é possível - com eficiência e vantagens econômicas - adotar práticas energéticas mais sustentáveis. Ou seja, um exemplo de que o Protocolo de Kyoto (além de necessário) é viável e merece ser rapidamente adotado por todos os países - afirmou.
Para o senador, o Brasil se coloca mais uma vez nessa vanguarda devido ao fato de que, mesmo sendo uma das dez economias mais industrializadas do planeta, tem a matriz energética (hidrelétricas) mais limpa e renovável do mundo, além do programa de álcool combustível. Ele lamentou que, mesmo com a evolução tecnológica, a qualidade dos motores e manutenção em funcionamento uma rede de distribuição e comercialização de álcool hidratado em todo o país, a produção de veículos a álcool tenha retornado aos patamares anteriores aos da década de 70.
- Situação inaceitável e que deve ser urgentemente revertida, principalmente no momento em que o Congresso brasileiro, assim como grande parte dos parlamentos do mundo, ratificam o Protocolo de Kyoto, enfatizando a necessidade de estabelecer políticas em prol das fontes renováveis de combustível - disse o senador.
Na avaliação de Teotônio Vilela Filho, o programa do álcool se configura como uma oportunidade vantajosa para uma ação de redução de emissões de carbono na área dos transportes.
O senador informou que com o programa de comercialização de 100 mil carros a álcool, deixarão de ser emitidas mais de 7 milhões de toneladas de gases causadores do efeito estufa; haverá um aumento de 500 milhões de litros na produção de álcool por ano, provocando a expansão na produção de cana de mais 5 milhões de toneladas, ou o equivalente a um cultivo de mais 60 mil hectares.
O senador Alberto Silva (PMDB-PI) disse que no Piauí está sendo feita uma experiência que aproveita a biomassa e produz óleo diesel a partir de óleo vegetal. Ele também citou outra experiência, por meio da qual mostrou-se a possibilidade da produção óleo diesel a partir da mamona, ressaltando que um hectare de mamona retira do ar 30 quilos de CO2 (gás carbônico) por dia e equivale a um emprego.
O senador Romeu Tuma (PFL-SP) disse que o álcool é um assunto apaixonante para os paulistas do interior. Ele lembrou que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, participou de um debate na Federação das Indústrias com empresários e anunciou redução no ICMS para o álcool de 25% para 12%. O governador anunciou também um projeto científico da Ford que lançará um motor conversível entre álcool e gasolina, sem necessidade de adaptações, disse Tuma.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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