Aprovado voto de pesar pela morte de José Lutzenberger

Da Redação | 16/05/2002, 00h00

O Plenário do Senado aprovou na quarta-feira (15) requerimento do senador Pedro Simon (PMDB-RS) solicitando inserção em ata de voto de profundo pesar pelo falecimento, no dia anterior, do ambientalista José Antônio Lutzenberger. O requerimento pede também envio de mensagem de condolências à família do falecido, ex-secretário nacional do Meio Ambiente do governo de Fernando Collor.

Na justificação do requerimento, Simon resume a biografia de Lutzenberger, homenageado em 1988 com o Prêmio Nobel Alternativo. Concedido pela The Right Livelihood Foundation, da Suécia, esse prêmio destacou o trabalho de produção agrícola sem o uso de herbicidas químicos desenvolvido por Lutzenberger e também sua militância em defesa da Amazônia.

Com pós-graduação em ciência do solo e química agrícola pela Louisiana State University, Lutzenberger trabalhou por 13 anos na indústria química Basf, na Alemanha, na Venezuela e no Marrocos, como informou Simon. Em 1971, deixou a Basf e retornou ao Brasil para fundar a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan). A associação tinha como missões principais combater o uso de agrotóxicos, as usinas nucleares, a destruição das matas e a matança de animais silvestres.

Simon lembrou ainda que Lutzenberger rompeu com o governo Collor dois meses antes da realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992. Ficou dois anos à frente da secretaria - com status de ministério -, período em que "não poupou críticas a vários setores do próprio governo do qual fazia parte, por entender que o primado do respeito à natureza não era preponderante nas ações governamentais".

Ressaltando que, para Lutzenberger, "o amor à natureza vinha em primeiro lugar", Simon informou que ele viveu seus últimos anos na sede da Fundação Gaia, em Pântano Grande (a 125 quilômetros de Porto Alegre). A fundação foi criada pelo ambientalista para cuidar da recuperação de áreas degradadas e ministrar cursos sobre educação ambiental.

Na Fundação Gaia trabalham suas duas filhas, Lilly e Lara, ambas biólogas, frutos de seu casamento com Annemarie Wilm. Viúvo, casou-se novamente com a enfermeira Elisabeth Paula Renck, que conheceu em 1982. Para Simon, Lutzenberger "está a merecer de nós os mais altos encômios e o reconhecimento público pelos grandes serviços prestados ao nosso país".

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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