Jefferson Péres critica noticiário sobre ida de Le Pen ao 2º turno
Da Redação | 30/04/2002, 00h00
O senador Jefferson Péres (PDT-AM) disse que a imprensa mundial vem desvirtuando os fatos e dando uma importância indevida à ida do candidato Jean-Marie Le Pen para o segundo turno da eleição presidencial francesa. Para ele, está havendo "uma completa irracionalidade" na análise dos fatos.
- Le Pen é um direitista cheio de idéias que às vezes nos assustam, mas ele está longe de ser um nazista - analisou.
Jefferson Péres acredita que não há a menor chance de Le Pen ser eleito presidente da França. Para ele, que o candidato da extrema direita passou para o segundo turno devido ao fato de os discursos de Jacques Chirac (direita) e Lionel Jospin (esquerda) terem se tornado muito semelhantes. Boa parte do eleitorado, disse o senador, preferiu deixar de votar por compreender que não haveria mudança significativa com a eleição de um ou de outro. Além disso, observou, os eleitores também estavam certos que ambos passariam para o segundo turno.
Embora discordando das idéias de Le Pen, Jefferson Péres ressaltou que o candidato integra um partido legalmente constituído e tem direito a expor suas propostas. O senador lembrou que, mesmo se eleito, para implantar proposições como a pena de morte, a saída da França da União Européia e a restrição à imigração, Le Pen teria que contar com o aval da Assembléia Nacional Francesa. E ele não tem maioria parlamentar.
- A impressão que querem passar é a de que a França e a Europa estão à beira do ressurgimento do fascismo. Isso é um completo desvirtuamento da realidade. Tratam Le Pen como um cão sarnento. Na verdade, se Le Pen é fascistóide, os que o hostilizam também assumem algumas atitudes fascistas, como no caso em que ele foi impedido de dar uma entrevista no Parlamento Europeu - afirmou Jefferson Péres.
Em aparte, o senador Casildo Maldaner (PMDB-SC) declarou que proibir a minoria de expor suas idéias é impedir o exercício da democracia. Já o senador Waldeck Ornélas (PFL-BA) observou que instituições financeiras internacionais rebaixaram a classificação da dívida brasileira justificando a ascensão do candidato Luís Inácio Lula da Silva nas pesquisas, mas não tomaram atitude semelhante no caso da ida de Le Pen para o segundo turno da eleição francesa.
Por sua vez, o senador Gilberto Mestrinho (PMDB-AM) disse que a má gestão de Lionel Jospin como primeiro-ministro provocou a alta abstenção entre os eleitores da esquerda na eleição. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) considerou importante que os franceses tenham protestado contra a ascensão do candidato da extrema direita no segundo turno da eleição presidencial francesa.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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