Mozarildo critica imprensa por pré-julgamento
Da Redação | 14/03/2002, 00h00
Após comparar o comportamento da imprensa brasileira aos métodos utilizados pela Igreja Católica durante a Inquisição, o senador Mozarildo Cavalcanti (PFL-RR) leu artigo do jornalista Natal Eustáquio, publicado no último domingo pelo jornal Correio Braziliense sob o título "Juízes sem Toga", que aborda a antecipação de condenações de pessoas que ainda não foram julgadas pela Justiça. - Muitos setores da sociedade brasileira lutaram, a duras penas, pelo fim do regime de exceção e pela construção de uma democracia baseada no estado de Direito, onde uma pessoa é inocente até prova em contrário - afirmou o senador.
Segundo o artigo lido por Mozarildo, a filosofia que parece imperar na mídia brasileira nos últimos anos é a de que não importam os meios para se conseguir a antecipação da notícia, o chamado "furo", mesmo que isso signifique expor publicamente indícios ou suspeitas como se fossem fatos. "Trata-se, como dizem os estudiosos da comunicação social, da chamada "imprensa-tribunal", que se caracteriza justamente pela condenação pública - muitas vezes até a execração - de um fato ou personalidade antes mesmo da apuração final dos fatos pelos órgãos de polícia competentes ou da manifestação oficial da Justiça", relatou o senador.
Ainda de acordo com o artigo lido pelo senador, ocorreu exatamente isso no caso envolvendo a governadora do Maranhão e pré-candidata à presidência da República, Roseana Sarney. "Como a empresa é de propriedade da governadora, o procedimento de rotina tomou as páginas dos jornais e revistas e os noticiários das emissoras de rádio e de televisão do país. Interesses e jogos políticos à parte, a verdade é que, mais uma vez, a mídia se antecipou aos fatos e até mesmo à Justiça, dando aos indícios até agora constatados o status de comprovação".
A motivação desse fenômeno que, de acordo com o artigo, foi estudado pelo jornalista do Observatório da Imprensa (jornal e programa de tevê dedicados à análise crítica da mídia) Alberto Dines, passa pelo comodismo dos jornalistas e pela busca desenfreada por prestígio. "A ética é uma questão de foro íntimo. O jornalista hoje topa qualquer coisa - não todos, claro - porque quer se projetar, fazer carreira, agradar determinados grupos", explica Dines ao lembrar que o Observatório da Imprensa sempre posicionou-se contra a publicação de reportagens baseadas em vazamentos, grampos ou outras gravações obtidas de maneira ilícita ou nebulosa.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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