Simon diz que Nelson Marchezan podia ter governado o Brasil

Da Redação | 18/02/2002, 00h00

Nelson Marchezan teria governado o Brasil no lugar de José Sarney, se tivesse aceito convite de Tancredo Neves para ser seu candidato a vice-presidente, na sucessão do general Figueiredo. A informação foi dada nesta segunda-feira (18) pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS), com o registro de outro fato histórico. Quando recebeu o convite de Tancredo, Marchezan disse que os partidários das candidaturas de Paulo Maluf e Mario Andreazza defendiam o fechamento do Congresso, caso o Colégio Eleitoral não elegesse o candidato do PDS.

Autor de um dos requerimentos de homenagem à memória de Nelson Marchezan, morto no último dia 11, Pedro Simon narrou esses fatos apontando sua relevância para a história. Ele foi, junto com Tancredo, fazer o convite para o deputado integrar a chapa que se elegeria para suceder Figueiredo. Na ocasião, contou Simon, Marchezan afirmou que, junto com o então chefe da Casa Civil, Leitão de Abreu, defendia a decisão que saísse do Colégio Eleitoral, fosse qual fosse, porque assim estaria servindo à causa da democracia.

- Isso é muito importante que a história saiba. Marchezan podia ter sido vice-presidente da República. Não foi porque não quis. E Marchezan teria sido presidente da República - observou Simon em seu discurso.

Ao homenagear Marchezan, o senador traçou um perfil de sua vida pública, acentuando a força do seu caráter. Disse que ele saiu do posto de caixa da agência do Banco do Brasil em Porto Alegre para assumir a Secretaria do Trabalho, de onde sairia, três anos depois, para eleger-se deputado federal. Em Brasília, foi presidente da Câmara e líder do governo, "cargos que exerceu com a maior dignidade", salientou.

Simon não deixou de citar as divergências que teve com Marchezan. Ele divergiu quando o deputado foi contra o projeto de Dante de Oliveira que restabelecia as eleições diretas e discordou do seu silêncio quando os militares cercaram o Congresso Nacional, mas não considerou isso relevante.

- São coisas que a mim não marcam. O que me marcou no Marchezan foi a firmeza nas horas difíceis. Nas horas mais dramáticas, ele tomou a decisão a favor da verdade, a favor da justiça, a favor da democracia, a favor do Brasil. Foi esse o ilustre homem público que nós perdemos - disse ainda o senador.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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