CPI do Futebol vai acionar polícia para colher depoimento de Mário Cupello

Da Redação | 18/09/2001, 00h00

A CPI do Futebol vai encaminhar à Justiça um ofício solicitando força policial para que o vice-presidente administrativo do Clube de Regatas Vasco da Gama, Mário Cupello, deponha, de forma coercitiva, perante a comissão que investiga denúncias de irregularidades no futebol brasileiro. Caso ele não atenda à decisão judicial poderá ser preso, conforme determina a legislação em vigor.

A decisão foi tomada nesta terça-feira (dia 18) pelo presidente da CPI, senador Álvaro Dias (PSDB-PR), após Cupello ter deixado de comparecer à comissão para prestar esclarecimentos sobre sonegação fiscal e evasão de divisas, supostamente patrocinadas por dirigentes vascaínos. O depoimento estava marcado para a manhã desta terça-feira.

Álvaro Dias informou que o vice-presidente administrativo do Vasco sequer justificou a ausência perante a comissão. Isso, a seu ver, é grave e levou a comissão a pedir auxílio da Justiça e da polícia para que o dirigente compareça à CPI, conforme determina a Constituição e o Código de Processo Penal. "Ninguém pode se recusar a depor numa CPI", lembrou Álvaro Dias.

O presidente da CPI informou que Mário Cupello, que já depôs na comissão, foi reconvocado em virtude do prosseguimento das investigações e do surgimento de novos documentos que comprometem a veracidade das informações dadas por ele à CPI. Álvaro Dias está certo de que a recusa de Cupello em depor faz parte de uma estratégia montada pelo ex-presidente, deputado Eurico Miranda, para tentar encobrir o que chamou de falcatruas existentes no clube carioca. "Mas essa verdadeira seleção de crimes praticados por Eurico Miranda no Vasco será apurada", revelou.

Conluio- Há um claro conluio entre os dirigentes e responsáveis pelas contas do Vasco para obstruir os trabalhos de investigação da CPI que chega a contar, inclusive, com apoio de dirigentes da CBF - disse Álvaro Dias, ao confirmar a veracidade de uma fita na qual os presidentes de federações apoiaram o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, na tentativa de prejudicar o andamento das investigações na CPI. "Isso é crime e vamos adotar as medidas legais", informou o senador.

Mas, para Álvaro Dias, essas tentativas de obstrução não vão prejudicar os trabalhos da CPI que, observou, luta para dar ao país uma nova legislação esportiva e impedir que o esporte seja usado para lavagem de dinheiro e sirva de escudo para outras irregularidades, como sonegação fiscal e evasão de divisas.

O mesmo pensamento tem o relator da CPI, senador Geraldo Althoff (PFL-SC). Ele informou que a comissão tem prazo até o dia 15 de dezembro para colher todos os depoimentos necessários, incluindo os do deputado Eurico Miranda e de Mário Cupello. "Todos os convocados serão ouvidos e a ausência premeditada de Cupello é a prova do comprometimento dele com as coisas escusas do futebol", garantiu Althoff.

Novos depoimentosA CPI também aprovou a convocação do presidente do conselho fiscal do Vasco da Gama, Geraldo Teixeira, e do sócio benemérito e coordenador da campanha eleitoral de Eurico Miranda em 1998, Lourdemar Lima Vilanova. Foram convocados para depor ainda Carlos Alberto Cavalheiro, um dos grandes beneméritos do Vasco, além dos contadores do clube Wanderley Doring e Miguel Vaz.

A comissão também decidiu reconvocar o atual presidente do Flamengo, Edmundo Santos Silva. Motivo: em 30 de agosto, o presidente do Flamengo, em depoimento à CPI, de acordo com Geraldo Althoff, não esclareceu várias questões que lhe foram perguntadas, além de não ter cumprido a promessa de encaminhar à CPI, em 24 horas, documentos capazes de dirimir dúvidas levantadas na reunião, entre as quais as relativas aos pagamentos efetuados pela aquisição do atleta Petkovic.

Antônio Augusto Dunshee de Abranches, que presidiu o Flamengo de 1981 a 1983, também foi convocado a depor na CPI, bem como o empresário de futebol Reinaldo Menezes de Rocha Pitta. A data e a hora dos depoimentos serão marcados ainda no decorrer desta semana.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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