Renan e ACM têm discussão acalorada

Da Redação | 07/03/2001, 00h00

Depois da contenda com a senadora Heloísa Helena (PT-AL), o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) discutiu em plenário, nesta quarta-feira (dia 07), com o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Falando como líder do PMDB, Renan sugeriu a Antonio Carlos abrir seu sigilo telefônico de modo a esclarecer denúncias contra o ex-presidente do Senado, entre as quais suposto desvio de verbas nas obras do Aeroporto Luís Eduardo Magalhães, em Salvador, e pressão para concessão de empréstimo do Banco do Brasil à Prefeitura de São Paulo.

- Se o senador Antonio Carlos está pedindo a apuração de tantas denúncias, deve apresentar provas e fatos, mas deve igualmente colaborar para que sejam apuradas também as denúncias que pesam contra ele. O país precisa andar e não quer mais blefes e blablablá - disse o senador por Alagoas.

Segundo Calheiros, Antonio Carlos já "enlameou" os nomes de 31 pessoas desde que iniciou a série de denúncias, logo após ter perdido a eleição para a Presidência do Senado, em 14 de fevereiro. Mas o que Renan considera um fato novo é o que chamou de "violação do painel eletrônico" quando da cassação do senador Luiz Estevão (PMDB-DF), em junho do ano passado. Conforme o senador alagoano, isso vai ficar bem claro nesta quinta-feira (dia 08) com a audição da fita em que Antonio Carlos, numa conversa com três procuradores da República, confessaria ter quebrado o sigilo da votação. A fita será ouvida em reunião da Comissão de Fiscalização e Controle do Senado marcada para as 10 h.

Repetindo o que dissera em nota distribuída por volta das 13h, Antonio Carlos desafiou o presidente da República ou qualquer presidente do Banco do Brasil a provar que ele tenha pressionado a diretoria do BB a liberar empréstimo destinado ao pagamento de dívida da Prefeitura de São Paulo com a construtora OAS, com a qual o senador baiano teria ligação.

- Vossa Excelência não está imune. É mais ligado a empreiteiras do que eu. E não entendo porque defende um governo que não o quis como ministro - disse Antonio Carlos a Renan, perguntando ao senador por Alagoas sobre um certo nome Zuleido.

Renan Calheiros procurou deixar clara sua solidariedade em relação à senadora Heloísa Helena, ao afirmar que jamais propôs a ela qualquer acordo para votar contra a cassação de Estevão.

- E se eu propusesse, ela não aceitaria - disse o senador.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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