PRESIDIÁRIO ACUSA POLÍCIA DE SÃO PAULO DE COMANDAR O ROUBO DE CARGAS
Da Redação | 08/11/2000, 00h00
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga o roubo de cargas em todo o país ouviu, nesta quarta-feira (dia 8), o depoimento do presidiário Sálvio Barbosa Vilar, 44 anos, que trabalhou como informante da polícia, infiltrando-se em quadrilhas de diversos estados. Escoltado por homens do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) de Brasília, Sálvio, que tem identidade falsa com o nome de Laércio da Cunha, acusou vários integrantes do Departamento de Crimes contra o Patrimônio, da Polícia de São Paulo (Depatri), de comandarem um grande esquema de roubo de cargas e extorsão.
Impressionado com as acusações, o presidente da CPI, senador Romeu Tuma (PFL-SP), resolveu modificar o cronograma de diligências já traçado pela comissão. Ele pretende, de imediato, seguir a trilha indicada pelo presidiário, para evitar que as informações se percam. Tuma afirmou, no entanto, que o novo roteiro será estabelecido de forma sigilosa, para facilitar o recolhimento de provas. Ele quer a participação direta do presidiário. O senador disse também que convidará o delegado Godofredo Bittencourt, diretor do Depatri, considerado por ele um "homem sério", para falar à CPI.
Além dos policiais do Depatri, Sálvio revelou também nomes de juízes, empresários, fazendeiros e rodoviários, detalhando ainda diversas rotas utilizadas pelas quadrilhas. Segundo ele, os policiais do Depatri chegam a fazer incursões em outros estados - sem o conhecimento das respectivas polícias -, com a intenção de extorquir receptadores de cargas roubadas que estão fora de seu esquema. Sálvio, que também colaborou com a CPI do Narcotráfico, disse que o valor das propinas varia entre US$ 100 mil e US$ 200 mil. "O dinheiro manda", afirmou.
O depoente apontou locais de desmanches de veículos em Minas Gerais e na Bahia, e revelou que grande parte das cargas e caminhões desviados pela quadrilha do Depatri são destinados ao Nordeste, em especial Recife. De lá, seguem para a região Norte, preferencialmente Belém (PA) e Porto Velho (RO), onde são trocadas por madeira. Os caminhões roubados passam a trabalhar para as madeireiras da região. Sálvio acusou a Polícia Rodoviária Federal de conivência, em postos que vão de Uberlândia (MG) a Garanhuns (PE). O presidiário também classificou a cidade de Montes Claros (MG), como uma base importante do crime organizado.
Indagado pelo senador Edison Lobão (PFL-MA), Sálvio revelou nomes de integrantes de quadrilhas no Maranhão. Ao senador Geraldo Cândido (PT-RJ), ele confirmou que o traficante Fernandinho Beira-Mar controla o roubo de cargas no Rio de Janeiro, e teria como braço direito, em Minas Gerais, o empresário Paulo César Santiago.
Afirmando temer pela própria vida, Sálvio apelou para que não seja transferido para um presídio em Campinas (SP). Ele quer permanecer em Brasília.
Impressionado com as acusações, o presidente da CPI, senador Romeu Tuma (PFL-SP), resolveu modificar o cronograma de diligências já traçado pela comissão. Ele pretende, de imediato, seguir a trilha indicada pelo presidiário, para evitar que as informações se percam. Tuma afirmou, no entanto, que o novo roteiro será estabelecido de forma sigilosa, para facilitar o recolhimento de provas. Ele quer a participação direta do presidiário. O senador disse também que convidará o delegado Godofredo Bittencourt, diretor do Depatri, considerado por ele um "homem sério", para falar à CPI.
Além dos policiais do Depatri, Sálvio revelou também nomes de juízes, empresários, fazendeiros e rodoviários, detalhando ainda diversas rotas utilizadas pelas quadrilhas. Segundo ele, os policiais do Depatri chegam a fazer incursões em outros estados - sem o conhecimento das respectivas polícias -, com a intenção de extorquir receptadores de cargas roubadas que estão fora de seu esquema. Sálvio, que também colaborou com a CPI do Narcotráfico, disse que o valor das propinas varia entre US$ 100 mil e US$ 200 mil. "O dinheiro manda", afirmou.
O depoente apontou locais de desmanches de veículos em Minas Gerais e na Bahia, e revelou que grande parte das cargas e caminhões desviados pela quadrilha do Depatri são destinados ao Nordeste, em especial Recife. De lá, seguem para a região Norte, preferencialmente Belém (PA) e Porto Velho (RO), onde são trocadas por madeira. Os caminhões roubados passam a trabalhar para as madeireiras da região. Sálvio acusou a Polícia Rodoviária Federal de conivência, em postos que vão de Uberlândia (MG) a Garanhuns (PE). O presidiário também classificou a cidade de Montes Claros (MG), como uma base importante do crime organizado.
Indagado pelo senador Edison Lobão (PFL-MA), Sálvio revelou nomes de integrantes de quadrilhas no Maranhão. Ao senador Geraldo Cândido (PT-RJ), ele confirmou que o traficante Fernandinho Beira-Mar controla o roubo de cargas no Rio de Janeiro, e teria como braço direito, em Minas Gerais, o empresário Paulo César Santiago.
Afirmando temer pela própria vida, Sálvio apelou para que não seja transferido para um presídio em Campinas (SP). Ele quer permanecer em Brasília.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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