LAURO CAMPOS: VOU DOAR MINHA FAZENDA AOS SEM-TERRA

Da Redação | 19/09/2000, 00h00

O senador Lauro Campos (PT-DF) anunciou nesta terça-feira em plenário que irá doar sua fazenda de 400 hectares, localizada no município mineiro de Unaí, aos trabalhadores sem-terra. Campos criticou o programa de reforma agrária do governo federal e a proteção dada pelo Exército à fazenda de propriedade dos filhos do presidente Fernando Henrique Cardoso. Antes em poder do próprio presidente e do falecido ministro das Comunicações, Sérgio Motta, a fazenda tem sido ameaçada de ocupação por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).
- Recebi essa fazenda como herança e nunca trabalhei ali, tendo visitado o local apenas quatro vezes. Portanto não posso me considerar proprietário - disse o senador.
Lauro afirmou que pretende convencer seus dois irmãos a fazer o mesmo em relação a suas fazendas, cada uma com 400 hectares, situadas junto à gleba em seu nome. A área total é o que sobrou de uma propriedade de três mil hectares adquirida em 1925 pelo pai do senador.
O parlamentar disse que pretende fazer a doação - em cartório e diretamente ao MST - o mais rapidamente possível, sem o drama que está se desenrolando na fazenda dos filhos do presidente, localizada no município de Buritis, também em Minas Gerais. Segundo ele, os sem terra darão, "com seu trabalho", destino mais apropriado à fazenda.
O anúncio da doação foi feito ao final de discurso em que o senador analisou a evolução do capitalismo. Lauro Campos observou que o sistema precisa das guerras para manter-se dinâmico, e até chegar a situações de pleno emprego, conforme descrito pelo economista John Maynard Keynes. Relembrando o momento - 1957 - em que tomou conhecimento dessas idéias, aceitando-as como verdadeiras, o senador atribuiu ao capitalismo um caráter "anti-humano".
O senador chamou a atenção para a fonte da qual na verdade emanariam as decisões sobre o gasto público em países como o Brasil: os Estados Unidos e sua máquina de guerra. Pouca ou nenhuma influência teriam nesse processo o Legislativo e o Executivo. O senador citou reportagem publicada no jornal Folha de S. Paulo mostrando que os investimentos militares no Brasil superam os investimentos sociais. No primeiro semestre deste ano, o Ministério da Defesa investiu R$ 140,5 milhões contra R$ 106 milhões dos ministérios da Saúde , Educação, Trabalho e Previdência.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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