MÉDICO BRASILEIRO APONTA PREJUÍZOS DA MENSTRUAÇÃO
Da Redação | 16/06/2000, 00h00
A menstruação feminina é anti-natural, prejudica a saúde e o bem-estar da mulher, e deveria ser abolida pelo uso de anticoncepcionais injetáveis: o autor destas afirmações polêmicas, que provocaram intenso debate nos meios científicos e agora chegam ao grande público, é Elsimar Coutinho, professor da Universidade Federal da Bahia, entrevistado pelos jornalistas Fernando Cesar Mesquita e Cláudia Carneiro para a TV Senado. O programa Vai ao ar sábado e domingo, às 11h, com reapresentação às 23h.Coutinho tem entre suas clientes que fizeram opção por não menstruar algumas mulheres famosas, como a apresentadora de televisão Marília Gabriela. Escreveu o livro Menstruação, a sangria inútil, já editado nos Estados Unidos, a partir de observações clínicas e pesquisas realizadas nos últimos 30 anos, e sustenta que a menstruação não é um fenômeno natural, e sim um acontecimento raro na Natureza, a qual programa as fêmeas para alternar gravidez e amamentação, processos hormonais que impedem a ovulação e o posterior sangramento uterino.A mesma situação teria sido característica da espécie humana em seus primórdios, e também da maior parte da população do planeta, até há poucas gerações: "as mães que tinham dez, 15 filhos, quase nunca menstruavam; menstruar não é natural, e sim amamentar e engravidar", explica o médico.Segundo Coutinho, a suspensão da menstruação traz benefícios para a saúde da mulher, suprimindo distúrbios que atingem o corpo e a mente, como a tensão pré-menstrual, as cólicas e a anemia crônica:- A menstruação é um aborto mensal, um desperdício enorme de sangue. Toda mulher é anêmica, tem menos hemoglobina que o homem, e, portanto, os tecidos de seus órgãos recebem menos oxigenação - afirmou.O cientista contestou a opinião de que a supressão da ovulação causaria problemas psicológicos, dificuldades sexuais ou infertilidade, defendendo o ponto de vista exatamente oposto:- Na verdade a menstruação é que é geradora de infertilidade, porque toda mulher experimenta o refluxo de parte do sangue menstrual para outros órgãos, como trompas, ovários e até intestinos, que em 10% delas transforma-se em endometriose, a doença que é a principal causa da infertilidade feminina - assinalou.Coutinho desenvolveu anticoncepcionais que suspendem a ovulação e a menstruação sob forma de injeções, cápsulas vaginais e implantes intramusculares (esses, somente colocados por médicos), todos de longa duração, a partir de três meses. Ele acredita que a fórmula dos contraceptivos orais mantém a menstruação porque se esperava que o método pudesse, por isso, ser aceito pela Igreja Católica, e indaga: "por que as mulheres jogam esse sangue fora, se ao tomar a pílula não estão ovulando?"Atualmente pesquisando um anticoncepcional masculino, a partir da substância gossipol, retirada do algodoeiro, o cientista acredita também na tendência de que, com a evolução das técnicas da fertilização in vitro e da clonagem de células, a reprodução humana vá se tornando independente da relação sexual, e que esta, por sua vez, seja cada vez mais destinada à satisfação do casal.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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