DOMENICO DE MASI: MULHERES ESTÃO MAIS PREPARADAS PARA O FUTURO
Da Redação | 14/03/2000, 00h00
O futuro exigirá cada vez mais pessoas generalistas e flexíveis, uma vez que será praticamente impossível diferenciar, nas atividades sociais e econômicas, o que é trabalho, lazer ou processo educativo. A previsão foi feita nesta terça-feira (dia 14) pelo sociólogo italiano Domenico de Masi na palestra "A Mulher do Futuro", que integrou a agenda de eventos organizada pela bancada feminina do Congresso Nacional em homenagem ao Dia Internacional da Mulher.
Para a senadora Emilia Fernandes (PDT-RS), que coordenou a mesa da palestra, a participação das mulheres no Parlamento é orientada pela percepção de que "o poder precisa ser modificado". Além da senadora, integraram a mesa a deputada Jandira Feghali (PC do B-RJ), a presidente do Conselho Nacional de Defesa dos Direitos da Mulher, Solange Bentes Jurema, e Oriana White, representante da Associação Brasileira de Anunciantes.
De Masi, professor titular de Sociologia na Universidade Sapienza di Roma e autor, entre outros livros, de A Emoção e a Regra e O Ócio Criativo, fez o percurso histórico dos diferentes papéis atribuídos às mulheres pelas sociedades antiga e moderna para chegar à transição da sociedade industrial à atual, pós-industrial, "cuja base é a produção de bens imateriais como informação, serviços e estética, e não a produção de bens materiais".
Num balanço parcial da refundação de papéis que está sendo operada nesse processo de transição ainda inconcluso, o sociólogo avaliou que "os homens perderam, mas as mulheres ainda não ganharam". A progressiva superação da dualidade masculino/feminino típica da sociedade industrial, no entanto, daria vantagens comparativas às mulheres, pois o futuro aponta para a valorização de questões éticas, estéticas, emocionais, subjetivas e domésticas, em detrimento do mundo prático e da produtividade, assim como dos valores de eficiência e recíproca competitividade.
Um e outro leque de qualificações conformam os universos feminino e masculino típicos da sociedade industrial moderna, cujos fundamentos estariam em erosão.Se no momento atual, de transição, as mulheres acumulam jornadas de trabalho e estresse, tal condição as prepara melhor para o futuro, forjando-as como pessoas generalistas e flexíveis, inventoras de um novo estilo de vida.
O desejável, para De Masi, é que elas sejam portadoras da solução dos problemas universais, "como o fez o proletariado no século XIX".
Duas outras tendências entrariam nesse quadro geral como complicadores. Uma pode ser verificada na Europa e nos Estados Unidos, onde há evidente "cansaço com o avanço feminino e uma retomada do machismo". Outra estaria no próprio comportamento feminino na transição, segundo o sociólogo, pois estaria havendo "notável feminização do homem" e deplorável masculinização das mulheres, quando o importante é que haja alguma forma de hibridismo.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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