LÍDER DO PPS DIZ QUE CONGRESSO ESPELHOU SITUAÇÃO DO GOVERNO

Da Redação | 17/12/1999, 00h00

O Congresso refletiu, em 1999, a situação de um país cujo governo ficou à deriva. A opinião é do líder do Partido Popular Socialista (PPS), senador Paulo Hartung (ES), que considerou o ano difícil para a economia nacional.
- O adiamento da decisão de mudança nas regras da política cambial teve um efeito desastroso do ponto de vista da expectativa do cidadão. Houve uma quebra de contrato entre o presidente e seus eleitores. Cresceu a desesperança e o presidente Fernando Henrique Cardoso enfrentou uma impopularidade vigorosa - analisou o senador.
Nesse momento, apontou Hartung, o governo perdeu a capacidade de liderar a agenda política nacional. "O Congresso ficou patinando e votou no limite para não deixar o governo colapsar", avaliou, lembrando que as principais reformas ficaram em compasso de espera, como as reformas política e tributária.
-A reforma do Estado parou na própria base de sustentação do governo e só foram votadas as urgências e as emergências. Foi um ano pouco produtivo - sintetizou.
Apesar disso, o senador disse que possui um "otimismo cauteloso" para o ano que vem pois o Brasil vem dando sinais de crescimento . "O governo deverá recuperar a governabilidade, mas sua popularidade não crescerá tanto quanto a economia", prevê o senador. Para o ano que vem, Hartung espera a aprovação de algumas propostas como a chamada Lei de Responsabilidade Fiscal, a emenda constitucional que eleva os recursos para a área de saúde, a reforma tributária e a regulamentação do sistema financeiro nacional.
Ele disse que espera ver também aprovada a mudança na atribuição do Banco Central que deixaria de fiscalizar os sistema financeiro e cuidaria exclusivamente da área monetária. A função de fiscalização das instituições seria transferida para uma agência nacional independente.
"Com essa PEC podemos fortalecer o Banco Central e evitar que episódios como o Proer voltem a ocorrer", argumentou o senador. Quanto ao PPS, Hartung informou que o partido cresceu sua bancada tanto na Câmara quanto no Senado e que continuará fazendo oposição propositiva ao governo FHC. "O PPS está ocupando um espaço vazio e não ignora as mudanças mundiais pois tem capacidade para interpretá-las ao mesmo tempo que atenta para as desigualdades e injustiças da sociedade", concluiu o líder.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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