NABOR JÚNIOR DEFENDE AMPLIAÇÃO DOS MECANISMOS DE PROTEÇÃO À MULHER

Da Redação | 26/11/1999, 00h00

O senador Nabor Júnior (PMDB-AC) defendeu, nesta sexta-feira (dia 26), a ampliação dos mecanismos nacionais de proteção à mulher. O parlamentar fez um apelo para que todos os atos de violência contra a mulher sejam denunciados e apurados pelas autoridades competentes.
Nabor Júnior lamentou que apenas dois senadores, Francelino Pereira (PFL-MG) e Emilia Fernandes (PDT-RS), tivessem destacado a passagem do Dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher, no dia anterior, em plenário. Para ele, isso foi "muito pouco, face à sua relevante importância no atual contexto social da humanidade".
O senador lembrou antigos ditames populares que enaltecem o silêncio das mulheres frente às agressões, mas destacou que a situação "mudou radicalmente":
- Hoje, as vítimas da violência doméstica são incentivadas a denunciar seus agressores; existem delegacias especializadas no atendimento dos crimes cometidos dentro de casa; todos os organismos internacionais se voltam para orientar governos e entidades não-governamentais, no combate àquela triste prática - afirmou o senador.
Nabor disse ainda que pesquisas atestam que a violência contra a mulher atinge todas as classes sociais, mas "a chamada elite procura ser mais discreta e evita levar às delegacias as explosões de agressividade ocorridas no âmbito doméstico". Ele disse que a causa da "paz no lar" adquiriu tamanha importância que tem sido defendida pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pelo Papa João Paulo II. E citou pesquisa da ONU publicada pelo Centro Feminino de Estudos e Assessoria (CFEMEA), segundo a qual as ameaças representam 16,4% dos crimes denunciados enquanto as agressões concretas chegam a 26,2%.
O senador lembrou ser comum no Brasil a exploração sexual de menores, principalmente nas grandes cidades e nos pólos turísticos voltados para visitantes estrangeiros. Ele mencionou também atos de violência em outras partes do mundo. Citou o jornal Persona, que em sua edição de novembro informa que 97% das mulheres egípcias tiveram o clitóris extirpado, prática comum em outros 28 países africanos e do Oriente Médio. Em Bombaim, na Índia, 95% dos abortos voluntários são de fetos do sexo feminino, registrou ainda Nabor.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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