EMILIA: SITUAÇÃO DAS CRIANÇAS NO MUNDO NÃO AUTORIZA COMEMORAÇÕES

Da Redação | 23/11/1999, 00h00

Apesar de reconhecer que houve avanços, no mundo e no Brasil, diante da realidade que atinge crianças e adolescentes, a senadora Emília Fernandes (PDT-RS) disse, nesta terça-feira (dia 23), que "eles são insuficientes para transformar a Declaração Universal dos Direitos da Criança em documento a ser comemorado".Na opinião da senadora, o mais grave é que a situação atual das crianças e adolescentes é decorrente de políticas adotadas após a declaração, que levaram as economias dos países mais pobres à falência generalizada, aumentando o desemprego, concentrando ainda mais a renda e, portanto, aprofundando as condições de pobreza. - Hoje a prioridade para as economias centrais, apesar dos discursos contrários, tem sido a propriedade, o mercado, o lucro - e não as pessoas, as crianças, em todas as suas necessidades - disse.Conforme a senadora, hoje 130 milhões de crianças no mundo não têm acesso à escola básica, 250 milhões trabalham e 40 milhões sofrem algum tipo de abuso, abandono ou negligência. Os dados para a última década não são melhores, acrescentou: "Dois milhões de crianças morreram e seis milhões foram mutiladas em guerras promovidas com claros objetivos econômicos e de disputa de mercados". - Os fatos contrariam os direitos - reiterou.Entre os avanços reconhecidos por Emilia Fernandes após a declaração estão a adoção, em 1989, da Convenção sobre os Direitos da Criança, que ampliou o alcance do documento original. No Brasil, ela destacou a concretização da convenção, sob a forma do Estatuto da Criança e do Adolescente, e a iniciativa de criação dos CIEPs, no Rio de Janeiro, no governo de Leonel Brizola.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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