PROCURADORES ASSOCIAM BINGOS A LAVAGEM DE DINHEIRO

Da Redação | 17/11/1999, 00h00

Os procuradores da República no Distrito Federal Luiz Francisco Fernandes de Souza e Guilherme Zanina Schelb afirmaram nesta quarta-feira (dia 17), durante audiência pública realizada na Comissão de Assuntos Sociais, que "o esquema dos bingos visava a lavagem de dinheiro obtido pela máfia italiana com o narcotráfico internacional". Os procuradores chegaram a esta conclusão a partir da análise de documentos nos quais se basearam para apresentar a ação cautelar preparatória da ação de improbidade e ação civil pública contra o ex-titular do Instituto Nacional para o Desenvolvimento do Esportes- Indesp- Luiz Antônio Buffara.
Luiz Francisco e Guilherme Schelb defenderam a instalação de uma CPI mista para investigar adequadamente a possibilidade de que grandes mafiosos tenham a intenção de utilizar o bingo eletrônico no Brasil, para lavar o dinheiro obtido com o tráfico, sobretudo na Europa.
Francisco também vinculou as autorizações irregulares para o funcionamento de bingos eletrônicos no Brasil a uma estratégia montada para conseguir recursos que, posteriormente, deveriam ser usados no financiamento da campanha do atual Ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca, para o governo do Paraná em 2002. De acordo com o procurador, há atualmente 5.500 funcionando e apenas três fiscais em todo Brasil.
O procurador assegurou que os critérios adotados para autorizar o funcionamento dos bingos eletrônicos "não tinham nada de técnicos, e eram rigorosamente políticos." Ele leu vários depoimentos colhidos por funcionários do Indesp (órgão do ministério do Esporte encarregado de dar a autorização) revelando irregularidades e os colocou à disposição dos senadores.
CARTAS MARCADASAo comentar os antecedentes legislativos que permitiram a introdução do bingo eletrônico no país, Gulherme Schelb disse que uma ambigüidade da Lei Pelé permitiu ao deputado Eurico Miranda (PPB-RJ) introduzir modificações na legislação, justificando a exploração dos bingos eletrônicos sob a alegação de que os recursos obtidos seriam utilizados para financiar os esportes. "Isso jamais aconteceu", afirmou.
O procurador disse que, "com a colaboração de homens ligados às máfias da Itália e da Espanha, foi preparada uma medida provisória" favorecendo os exploradores das casas de bingo. De acordo com Schelb, a MP só não foi assinada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso porque as autoridades italianas, "atentas aos movimentos dos mafiosos" denunciaram a tentativa. Foi neste momento,lembrou, que ele e Luiz Francisco ajuizaram a ação cautelar.
Segundo Schelb, as investigações já realizadas revelaram que, através de um amplo entendimento entre burocratas do Indesp, representantes das máfias da Itália e da Espanha e banqueiros de bicho brasileiros seria montado um esquema de exploração dos bingos, com rendimentos de US$ 1,6 bilhão por ano através da implantação de cerca de 100 mil máquinas.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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