SENADORES SE DIZEM DISPOSTOS A CRIAR UMA LEGISLAÇÃO QUE PROTEJA O CINEMA

Da Redação | 12/11/1999, 00h00

O relator da Subcomissão do Cinema Brasileiro, senador Francelino Pereira (PFL-MG), disse estar convencido da necessidade de se colocar em prática uma uma política destinada a fortalecer e amparar o cinema nacional, em substituição a atual legislação do setor. Segundo ele, este é o principal desafio da subcomissão que tem por objetivo, também, conforme lembrou, propor soluções para retirar o cinema brasileiro da crise que enfrenta.
Francelino Pereira fez essas afirmações depois de o produtor Luis Carlos Barreto desenhar um quadro sombrio do cinema nacional para os próximos anos, caso não sejam adotadas medidas emergenciais destinadas a salvar a arte cinematográfica, começando por mudanças de dispositivos legais que facilitem a canalização de recursos para a produção.
Luiz Carlos Barreto traçou perspectivas preocupantes para o cinema brasileiro. A previsão para o próximo ano é muito ruim. Iremos cair de 40 filmes por ano para uma média de 3 ou 4. "E o mais grave, como se isso não bastasse, é que existem 62 filmes inacabados,que mesmo com subvenção oficial não foram concluídos" revelou.
O senador Agnelo Alves (PMDB-RN) defendeu uma tomada de posicão do Senado, através da subcomissão, para apresentar formas de revitalização da atividade. Para ele, é necessária uma legislação para o cinema, "em defesa de nossa cultura". O senador Roberto Saturnino (PSB-RJ), que também é favor de uma legislação para o cinema, sugeriu a adoção de medidas de controle e fiscalização de outorga e concessão de emissoras de rádio e TV. Saturnino que defendeu a imediata instalação do Conselho Nacional de Comunicação Social, previsto na Constituição.
O presidente da subcomissão, senador José Fogaça (PMDB-RS) acha que a instalação daquele conselho é prioritária para a adoção de uma política para o setor de comunicação social, especialmente rádios e TVs. "Mas as pressões são tantas que o projeto que cria o Conselho Nacional de Comunicação Social se encontra engavetado na Câmara dos Deputados", informou.
Durante os debates, o exibidor Luiz Severiano Ribeiro Neto revelou que a média de salas de projeção por habitante no Brasil - em torno de 1.600 - é pequena se comparada ao número de habitantes. "No México existem 4.000 cinemas para uma população de 80 milhões de pessoas", informou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

MAIS NOTÍCIAS SOBRE: