HELOÍSA HELENA DEFENDE A EXALTAÇÃO DAS ESQUERDAS

Da Redação | 12/11/1999, 00h00

A senadora Heloísa Helena (PT-AC) rebateu as críticas feitas pelo senador Edison Lobão (PFL-MA) na sessão desta sexta-feira (dia 12) de que as esquerdas são radicais e não conseguiriam governar porque trabalham apenas com a utopia. Heloísa Helena louvou a postura de exaltação de representantes da oposição que não admitem "ficar omissos, caladinhos, cúmplices com a desgraça". A senadora, no entanto, manifestou a esperança de que as potencialidades do Brasil permitam a solução dos problemas nacionais.
- Não há lógica que explique um país com tantas áreas agricultáveis ser o país da fome; o país que tem a sua população dividida entre os que comem e os que não comem. Estar no Senado me dá muita esperança, por mais que as hienas que estão no governo federal possam me provocar desestímulo - afirmou a senadora, relembrando episódio em que foi abordada por um menino de rua em Maceió, pedindo que intercedesse junto ao presidente Fernando Henrique para que este mandasse comida para o sertão nordestino.
"Essa solidariedade de uma criança, que nem pedia para ela, faminta, maltrapilha, deu-me ainda mais esperança", comentou. O mesmo sentimento, salientou, Heloísa Helena tem em relação à vitória do socialismo. Ela justifica esta crença no que qualificou como o fracasso do sistema capitalista.
- Fracassou na incompetência, insensibilidade, na mais profunda e perversa destruição da humanidade. Tenho a convicção da construção de uma sociedade justa, igualitária, fraterna, socialista. E quem me dá essa convicção não é apenas o passado, mas o presente de fome, de miséria e de subserviência do governo federal ao Fundo Monetário Internacional.
Na avaliação da senadora, o FMI tem sido responsável por mazelas em várias nações do mundo. "Em todos os países onde foi implantado o seu (do FMI) pacote, a principal causa da morte de mulheres, em primeiro ligar, e de homens, em segundo tem sido a tuberculose. Onde o FMI passa há uma elite fracassada, demagógica, incompetente e insensível", sentenciou.
Admitindo que a chegado do socialismo ao poder é uma possibilidade ainda distante, improvável para a atual geração, Heloísa Helena espera que, pelo menos no Congresso Nacional, os parlamentares de esquerda possam aumentar a sua representação.- Se o Congresso cumprisse suas simplórias obrigações constitucionais, o presidente não seria mais presidente. Não devido às minhas convicções ideológicas, mas porque estaria enquadrado em crime de responsabilidade, pela corrupção monstruosa do processo de privatização - afirmou.
Em aparte, o senador Lauro Campos (PT-DF), concordando com a representante de Alagoas, disse que o país vive uma ditadura muda. "O presidente disse que não é com grito que se faz a democracia. Mas é com o silêncio que se faz a ditadura".

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

MAIS NOTÍCIAS SOBRE: