JADER BARBALHO ACUSA BC DE ATRAPALHAR A CPI DOS BANCOS

Da Redação | 10/11/1999, 00h00

O senador Jader Barbalho (PA), líder do PMDB no Senado e presidente nacional do partido, acusou em discurso, nesta quarta-feira (dia 10), o Banco Central de "dificultar os trabalhos da CPI dos Bancos", atrasando a entrega de documentos sob a alegação de que as informações são protegidas pelo sigilo bancário.
Ele criticou especificamente o diretor de Fiscalização do BC, Luiz Carlos Alvarez, que chegou a questionar em ofício o presidente da CPI se o pedido de informações havia sido aprovado pela maioria absoluta dos integrantes da comissão de inquérito, pois só assim poderia mandar a documentação, cumprindo uma exigência da lei.
- Na época da CPI dos precatórios, quando o Senado estava investigando governos de estado e prefeituras, o Banco Central colaborava a ponto de enviar documentos 24 horas depois de solicitados. Pois agora, quando as investigações envolvem a instituição, fazem tudo para protelar a entrega de documentos - afirmou.
Jader Barbalho informou que a CPI dos Bancos decidiu prorrogar seus trabalhos até o dia 5 de dezembro para investigar, entre outras coisas, uma denúncia da revista IstoÉ Dinheiro de que o ex-dono do Banco Excel, Ezequiel Nasser, teria desviado para as Bahamas, conhecido "paraíso fiscal", cerca de US$ 100 milhões. O Excel foi o comprador do Banco Econômico com apoio do Proer e um dos objetivos da CPI é averiguar porque o sistema financeiro nacional continuava fragilizado no início deste ano, apesar dos gastos de R$ 20 bilhões do BC com o Proer.
No dia 22 de outubro, a CPI pediu ao Banco Central cópias dos relatórios da auditoria realizada no Banco Excel-Econômico, de onde a revista teria tirado suas informações. No dia 25, o diretor de Fiscalização do BC enviou ofício à CPI afirmando que dificilmente o banco teria condições de enviar o material solicitado "no prazo usual de cinco dias". Duas semanas depois, em vez de obter cópias dos documentos, a CPI recebeu novo ofício do diretor Luiz Carlos Alvarez informando que a documentação estava protegida por sigilo bancário. Por isso, ele questionava se o requerimento da CPI tinha sido aprovado por maioria absoluta, como prevê a lei.
- Um fiscalizador, que não fiscaliza bancos, agora quer fiscalizar o Senado. Por isso é que a CPI tem dificuldades de trabalhar. Trata-se de uma abuso do diretor Alvarez - afirmou Jader Barbalho.
O senador lembrou que é o sub-relator da CPI nas investigações sobre o Proer e, ante as dificuldades impostas pelo BC, vai fechar seu relatório com base nas reportagens da IstoÉ Dinheiro. "Se a IstoÉ tem acesso a documentos do Banco Central e a CPI não tem, não vejo outra alternativa a não ser agir assim."

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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