OSMAR DIAS ALERTA PARA POTENCIAL EXPLOSIVO DOS CONFLITOS DE TERRA

Da Redação | 09/11/1999, 00h00

O senador Osmar Dias (PSDB-PR) alertou, nesta terça-feira (dia 9), para o potencial explosivo do confronto entre proprietários rurais e trabalhadores sem-terra que está se armando no Paraná. "Há uma bomba preste a explodir no estado, se providências não forem tomadas pelas autoridades para impedir a violência e manter a paz no campo", enfatizou.
Ele culpou a omissão do governo Jaime Lerner pela atual situação. "Não é possível aceitar que o governador diga que invasões de terra no estado "não são problema dele e sim do governo federal". A Constituição é clara ao definir como atribuições estaduais a mediação de conflitos de terra e a execução compulsória de mandados judiciais de reintegração de posse".
Segundo Osmar Dias, há 162 fazendas invadidas no estado sem que o governo tome qualquer providência no sentido de solucionar a questão. "Desse total, 112 já dispõem de mandados de reintegração de posse em mãos de seu proprietários, sem que o governo providencie o cumprimento das decisões da Justiça".
O senador pelo Paraná fez questão de reafirmar seu apoio de longa data à reforma agrária e ao Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST). "O problema é que o movimento está promovendo ocupação de terras produtivas, saqueando e assaltando fazendas-modelo, em completo desrespeito ao direito de propriedade. A esse tipo de ação irracional, eu não posso dar meu apoio", enfatizou.
Osmar Dias demonstrou preocupação com a violência do conflito que pode ser desencadeado no campo em seu estado. "De um lado, proprietários rurais estão organizando milícias, com apoio de prefeitos, para defender suas terras. De outro, trabalhadores sem-terra, também armados, ameaçam continuar invadindo terras para forçar desapropriações e assentamentos rurais".
Segundo Osmar Dias, já existe entre os proprietários rurais um movimento para reivindicar a intervenção do governo federal no Paraná, como única maneira de impedir a violência generalizada no campo. "É urgente que o governo estadual use sua autoridade para coibir abusos e restaurar a ordem. O governador não pode fugir de sua responsabilidade", concluiu.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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