BEZERRA QUER EVITAR QUE PPA AUMENTE DESIGUALDADE REGIONAL

Da Redação | 22/09/1999, 00h00

A distribuição de recursos prevista no Programa Plurianual de Investimentos (PPA) reforça as desigualdades regionais, conforme alertou nesta quarta-feira (dia 22) o senador Carlos Bezerra (PMDB-MT), ao defender a união das bancadas parlamentares do Centro-Oeste e do Norte em defesa de interesses comuns. Ele destacou o potencial de desenvolvimento de Mato Grosso afirmando que o estado poderá, sozinho, garantir os 80 milhões de toneladas de grãos que são hoje produzidos pelo Brasil.
Carlos Bezerra lamenta que o PPA preveja a destinação de 54% dos recursos para a região Sudeste, ficando o Nordeste com 24%, o Norte com 13% e o Centro-Oeste com apenas 9,7%. Na opinião do senador, dois problemas seculares atrapalham o desenvolvimento brasileiro: a desigualdade entre as regiões e a centralização administrativa e orçamentária. O governo federal, lembrou, fica com 60% dos impostos arrecadados.
Embora considere "irrisórios" os recursos destinados ao Centro-Oeste pelo PPA, o senador reconhece que obras da maior importância para a região - como a rodovia Cuiabá-Santarém, a Hidrovia Araguaia-Tocantins e a Ferronorte - estão sendo contempladas na proposta. Bezerra ressaltou que essas obras foram reivindicadas no Plano de Desenvolvimento do Centro-Oeste, cuja elaboração ele coordenou há quatro anos.
Em aparte, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) observou que em visita à China constatou que aquele país produzia, há alguns anos, 540 milhões de toneladas de grãos em uma área que corresponde a apenas uma vez e meia a que é utilizada pelo Brasil para produzir 80 milhões de toneladas.
Gilberto Mestrinho (PMDB-AM) ressaltou que a maior competitividade da soja norte-americana decorre de um sistema de transporte mais barato. Segundo o senador, com a construção de hidrovias no Centro-Oeste e no Norte do Brasil, a soja nacional poderá ser vendida a melhor preço que a norte-americana.
Segundo o senador Alberto Silva (PMDB-PI), a produção brasileira pode chegar em curto prazo a 120 milhões de toneladas de grãos. O senador propôs que um grupo de senadores com experiência em governos estaduais, como ele próprio, elabore estudo para aumentar a produção e o apresente ao presidente da República.
Já a senadora Marina Silva (PT-AC) defendeu amplo debate sobre a peça orçamentária e se manifestou desapontada com a informação de que os recursos previstos para os nove estados da Amazônia correspondem a apenas metade dos que se destinam ao Distrito Federal.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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