PARA MARINA, "MARCHA DOS 100 MIL" TEM A FORÇA DA PRIMAVERA

Da Redação | 27/08/1999, 00h00

A senadora Marina Silva (PT-AC) disse nesta sexta-feira (dia 27) que a "Marcha dos 100 Mil", organizada pela oposição na última quinta-feira (dia 27) em Brasília, marcou o florescimento de uma sociedade que passa a conseguir dizer também o que o povo pensa, e não somente o que exprimem suas lideranças. "O movimento teve a força da primavera, que faz surgirem brotos em arvores murchas e desfolhadas". Para a senadora, a sociedade mostrou-se capaz de se mobilizar por uma grande bandeira: o destino do país. Lembrou que, no primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, ao contrário, as mobilizações eram motivadas por bandeiras específicas, corporativas. Por isso, para ela, é um elogio a acusação do governo de que a marcha foi política.A líder do Bloco Oposição disse que, embora o governo tenha tentado desqualificar o movimento, taxando-o de uma "baderna sem rumo", a manifestação mostrou um forte conteúdo.- O povo veio dizer que está na frente para dar um rumo aos interesses do próprio povo, não para o banco Marka, o FonteCindam ou para a Ford - afirmou, lembrando que, na Marcha, milhares de pessoas manifestaram seu inconformismo com o desemprego e o desespero a que está sendo levada a população.A senadora criticou a comemoração feita pelo governo do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), "quando há mais de um milhão de pessoas no país sem emprego". Ela elogiou o presidente Fernando Henrique Cardoso por ter tido a coragem de assumir, em entrevista, que foi "obrigado a fazer tudo o que era ruim, tudo o que ele não queria". Mas, para ela, o presidente de um país somente é obrigado a fazer uma coisa: defender os interesses do povo e do próprio país.Em aparte, o senador Luiz Otávio (PPB-PA) lembrou que ninguém consegue fazer somente aquilo que quer. Disse também que o Fundo Monetário Internacional (FMI) regula o sistema financeiro mundial, e seu aval é essencial para se conseguir financiamento externo. Marina reconheceu que não se pode fazer tudo o que se quer, mas acrescentou que "não se pode render à lógica perversa do "deus" mercado"- Se tudo não pode ser evitado, algumas coisas podem - afirmou a senadora, lembrando que o país não tem incentivo para a agricultura e a produção, mas o governo federal "ajuda multinacionais e bancos falidos que nem sabíamos que existiam".

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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