MÃE DENUNCIA ACORDO PARA DILAPIDAR PATRIMÔNIO

Da Redação | 20/05/1999, 00h00

A mãe do menor Luiz Gustavo Nominatto, Miramar da Silveira Rocha, fez um depoimento emocionado nesta quinta-feira (dia 20) à CPI do Judiciário. Ela relatou aos senadores os detalhes do processo de inventário da herança deixada pelo pai do garoto, Washington Nominatto, em 1987, estimada em mais de R$ 30 milhões. Ela alega que houve uma acerto entre o juiz Asdrúbal Cruxen, os inventariantes nomeados para administrar o patrimônio e sua primeira advogada Maria das Graças Leão, com o objetivo de dilapidar a herança.Miramar Silveira contou que não conhecia o montante do patrimônio deixado por Washington Nominatto, em 1987, nem "o que era ser inventariante". Ela acredita que este desconhecimento possibilitou a nomeação de Wellington Pereira como inventariante e a venda de praticamente todos os bens deixados para Luiz Gustavo.- Na primeira audiência me foi perguntado se eu tinha condições de ser inventariante. Eu não sabia o que era isso. O juiz disse que Wellington, que era sócio no Consórcio, teria condições para isso. A partir daí fiquei excluída de tudo - relatou.Miramar admitiu que assinou autorizações para a venda dos bens. Ela disse que foi levada a fazer isso pela advogada Maria Leão e, quando percebeu que não havia quase nada mais a vender, resolveu assumir um lugar na administração das empresas. "Nessa época já havia sido vendido tudo". A mãe do garoto resolveu então nomear outro advogado, Joaquim Tomáz Lopes, que, segundo o depoimento, foi impedido de defendê-la. "Na primeira audiência, ele foi expulso da sala pelo juiz Cruxen, sob a alegação de que estaria tumultuando o processo". Miramar conta ainda que o juiz ameaçou destituí-la de seu pátrio poder, o que faria com que ela perdesse a guarda de Luiz Gustavo.- Foi muito difícil administrar tudo isso com a criação de meu filho - disse.Luiz Gustavo Nominatto assistiu ao depoimento de sua mãe no plenário da CPI. Ele espera que a CPI ajude a resgatar parte do patrimônio perdido. Sua maior esperança, no entanto, é a punição dos culpados pela dilapidação do patrimônio.- Espero que os responsáveis não fiquem impunes - afirmou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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