ESPÓLIO NÃO TINHA DÍVIDAS

Da Redação | 20/05/1999, 00h00

A existência de dívidas no Consórcio Itapemerim foi usada como argumento para a venda, durante a administração do espólio pela Justiça, de empresas que faziam parte da herança deixada por Washington Nominatto. No entanto, conforme depoimento do advogado Luiz Otavio Amaral à CPI do Judiciário, não havia qualquer dívida em nome de nenhuma das empresas de Washington, por ocasião da sua morte em novembro de 1987.Perguntado pelo relator da CPI, senador Paulo Souto (PFL-BA) se havia comprovação da saúde financeira das empresas, o advogado apresentou informações do Banco Central e da Secretaria da Receita Federal atestando a boa situação financeira da empresa, além da própria contabilidade do grupo.- Os administradores do consórcio pediram um aumento das cotas junto à Receita Federal, que à época era quem fiscalizava a atividade no Brasil. Não são liberadas novas cotas para empresas que não estejam saudáveis financeiramente - comentou o advogado.Luiz Otávio Amaral revelou que não há qualquer habilitação de crédito junto ao inventário. Este é o procedimento necessário para o recebimento de dívidas de um espólio. O relatório do Banco Central, apresentado quando da liquidação do Consórcio em 1992, e enviado à CPI pelo advogado, indica que houve fraudes na administração da empresa e responsabiliza todos os administradores.De acordo com o advogado, os administradores nomeados pelo juiz Asdrúbal Cruxen realizaram uma auditoria em 1991, que teria detectado passivos a serem pagos com o patrimônio do menor. Luiz Otávio atacou esta auditoria, argumentando que ela não foi feita por instituição autorizada.- A auditoria foi feita pela empresa Organimática, de Goiás, muito tempo depois da morte de Washington. Além disso, o dono da empresa era um francês, Roger Blasé, que não tem registro no Conselho de Contabilidade e não tinha autorização para trabalhar no Brasil - denunciou o advogado.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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