JUIZ QUE AUTORIZOU RETIRADA DE CRIANÇAS DOS PAIS ESTÁ SENDO PROCESSADO
Da Redação | 10/05/1999, 00h00
O juiz Luís Beetowen Giffoni Ferreira, acusado pelo advogado Marco Colagrossi de fomentar um esquema, em Jundiaí (SP), de tráfico de crianças brasileiras para o exterior, está sendo processado disciplinarmente pela Corregedoria Geral da Justiça do Estado de São Paulo. Ainda assim, o magistrado foi promovido para a capital paulista, onde é o titular da 18ª Vara Cível.Esses são alguns dos detalhes que farão parte do depoimento do advogado nesta terça-feira (dia 11), às 10h, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga irregularidades no Poder Judiciário. Segundo Colagrossi, em diversos casos de adoção, o juiz atropelou o direito de defesa, usando caminhos procedimentais tortuosos, o que culminou na subtração de crianças de seus familiares.O advogado deverá fornecer detalhes sobre a retirada ilegal da criança Evelyn da guarda dos pais. O processo teria sido feito sem que se permitisse à mãe o exercício do direito de defesa. Segundo Colagrossi, "a criança foi praticamente furtada da mãe". Ainda de acordo com o advogado, mesmo sabendo de apelação ao Tribunal de Justiça (TJ) do estado, o juiz autorizou o envio da menina para a Alemanha, e, apesar da decisão do TJ de anular a perda do pátrio-poder, até hoje a mãe não conseguiu trazer sua filha de volta ao Brasil.Em outro caso, um bebê recém-nascido teria sido retirado da mãe no Hospital São Vicente de Paula, em Jundiaí, no momento do aleitamento. O advogado alega que o juiz teria aproveitado o período de tensão pré-natal, em que a mãe manifestara desejo de doar a criança. Depois daquele momento, relata, a mãe teria se arrependido do que dissera, mas, ainda assim, o juiz a obrigou a entregar o filho.Duas mães de crianças desaparecidas, Maria Aparecida Salles e Cristiane Lopes, também comparecerão à CPI nesta terça-feira. O advogado deverá acompanhar os depoimentos das mulheres, de origem humilde.Colagrossi deverá apresentar outras denúncias de fraudes praticadas pelo juiz quando titular da 2ª Vara Cível, em Jundiaí. Beetowen é acusado, pelo advogado, de estabelecer relações com uma agência de adoção da Itália, que só foi reconhecida pelas autoridades daquele país em 1997.TRT PAULISTALogo após os depoimentos sobre o caso de tráfico de crianças, os senadores da CPI do Judiciário ouvirão o ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo, Rubens Tavares Aidar. O juiz deverá falar sobre irregularidades nas obras do Fórum Trabalhista de Primeira Instância e sobre por que manteve, como responsável pela construção, o juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto. Segundo os dados apresentados à CPI, a construção do edifício já consumiu cerca de R$ 230 milhões, R$ 100 milhões a mais que o previsto inicialmente.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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