EX-DIRETOR DO BANCO CENTRAL E DOIS BANQUEIROS DEPÕEM NA CPI DO SISTEMA FINANCEIRO

Da Redação | 10/05/1999, 00h00

A CPI que investiga o sistema financeiro marcou para esta terça-feira (dia 11), às 16 horas, o depoimento do ex-diretor da Área Externa do Banco Central, Demósthenes Madureira de Pinho Neto. Na próxima quinta-feira (dia 13), deverão depor perante a CPI os banqueiros Salvatore Alberto Cacciola, presidente do Banco Marka, e Luiz Antonio Gonçalves, presidente do Banco FonteCindam, às 10h e às 15 h, respectivamente.Os três depoimentos deverão concluir os trabalhos da CPI relativos ao primeiro dos oito casos concretos que deram origem às investigações da comissão - a suspeita de vazamento de informações privilegiadas, durante a mudança do câmbio, e a venda de dólares a preços abaixo dos de mercado, pelo Banco Central, aos Bancos Marka e FonteCindam.Com o depoimento de Demósthenes Madureira de Pinho Neto, os senadores da CPI vão dar continuidade às investigações sobre as decisões do Banco Central às vésperas da desvalorização do real, em janeiro, com relação às instituições financeiras, bem como esclarecer a troca de correspondência entre o Banco Central e a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F;) nesse período. Demósthenes Madureira participou da reunião de diretoria do BC, na manhã do dia 14 de janeiro, quando foi decidido que a instituição iria operar no mercado para evitar a liquidação dos bancos Marka e FonteCindam.Os dados de que já dispõe a CPI, coletados junto aos dirigentes da BM&F; e a servidores do BC e por meio do cruzamento de informações proporcionadas pela quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e postal de várias pessoas revelam que a carta enviada pela BM&F; ao BC, alertando sobre os riscos de uma crise "sistêmica" no mercado financeiro, foi feita após o socorro dado pelo BC aos dois bancos.Instalada no dia 14 de abril, a CPI já ouviu 17 pessoas para investigar os detalhes da operação de venda de dólares aos dois bancos, à cotação média de R$ 1,2750. Estima-se que essa operação tenha causado um prejuízo de cerca de R$ 1,5 bilhão ao Banco Central.Como primeiro resultado positivo da CPI, o senador Romero Jucá (PSDB-RR), que integra a comissão, citou a Circular nº 2.883, do Banco Central, que proíbe as administradoras de fundos de investimento, bem como suas controladoras ou bancos, de deter quotas desses fundos. Essa medida, acredita o senador, evitará uma relação perniciosa entre os fundos e seus principais acionistas, que acabava gerando corrupção e prejuízos para os demais cotistas.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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