DEPOIMENTOS FECHAM CASO MARKA/CINDAM

Da Redação | 07/05/1999, 00h00

Com os depoimentos do ex-diretor da área externa do Banco Central, Demósthenes Madureira de Pinho, na terça-feira (dia 11), e dos controladores dos bancos Marka, Salvatore Cacciola, e FonteCindam, Luís Antonio Gonçalves, na quinta-feira (dia 13), a CPI do Sistema Financeiro deverá concluir os trabalhos relativos aos primeiro dos oito casos concretos que lhe deram origem. - Depois de ouvir todos os envolvidos, a comissão deve enviar suas conclusões ao Ministério Público que deve dar andamento ao processo judicial - salientou o presidente em exercício da CPI, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF). Em menos de um mês - a CPI foi instalada em 14 de abril - os senadores ouviram 17 pessoas e investigaram os detalhes da operação que permitiu ao Banco Central vender dólares a cotação de R$ 1,2750 ao Banco Marka e 1,32 ao FonteCindam. Estima-se que a ajuda aos bancos tenha causado um prejuízo de cerca de R$ 1,5 bilhão.Boa parte das informações com as quais a comissão trabalha foi conseguida com a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e postal dos controladores dos bancos envolvidos, do ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes, dos diretores da área de fiscalização do BC, e dos sócios da empresa de consultoria Macrométrica, Luiz Augusto e Sérgio Bragança. A empresa é suspeita de intermediar a operação para favorecer o Marka.Os primeiros a depor na CPI foram o atual presidente do Banco Central, Armínio Fraga. Ele reafirmou que a ajuda aos bancos tinha o objetivo de evitar uma "crise sistêmica". Armínio Fraga disse ainda que "não há como provar vazamento de informações". A primeira revelação da CPI surgiu após reunião dos senadores com os procuradores responsáveis pelo inquérito na Justiça Federal. Nesta reunião, os membros da CPI souberam que havia sido encontrado na casa de Francisco Lopes bilhete assinado por seu ex-sócio na Macrométrica, indicando a existência de US$ 1,675 milhão em conta no exterior. - Há fatos muito mais graves, além dos que vêm sendo divulgados pela imprensa e que comprometem o ex-presidente do Banco Central e boa parte do sistema financeiro nacional - revelou o relator da CPI, senador João Alberto (PMDB-MA).Francisco Lopes acabou não depondo na CPI. Escorado na garantia constitucional de não prestar informações que o prejudicassem, Lopes se recusou a assinar termo se comprometendo a dizer a verdade e não foi ouvido pelos senadores. O mesmo argumento foi usado pelos irmãos Bragança, que depuseram, porém não falaram sobre o dinheiro depositado no exterior.Os depoimentos dos dirigentes da BM&F;, em 5 de maio, colocaram em cheque as justificativas apresentadas dias antes pelos funcionários da área jurídica e de fiscalização do BC, de que a operação havia sido motivada por carta enviada pela bolsa sugerindo a ajuda aos bancos. O presidente da BM&F;, Manoel Félix Cintra Neto, garantiu que a operação foi de responsabilidade exclusiva do BC e que a própria bolsa tinha mecanismos para arcar com os prejuízos do Marka. Essas informações indicam, na opinião do senador Arruda, que houve uma operação "atípica e imprópria". Já o senador Roberto Freire (PPS-PE) considera que o episódio da carta, que no seu entendimento foi forjada para justificar a operação, é motivo para o enquadramento dos responsáveis no crime de falsidade ideológica.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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