MAUCH AFIRMA QUE NUNCA RECEBEU CACCIOLA
Da Redação | 27/04/1999, 00h00
O ex-diretor de Fiscalização do Banco Central Cláudio Mauch negou qualquer contato com o controlador do Banco Marka Salvatore Cacciola, por ocasião das negociações que culminaram na venda de dólares à cotação de R$ 1, 2750 e que evitaram a quebra do Marka. Mauch respondeu à pergunta do senador Eduardo Siqueira Campos (PFL-TO), que citou o depoimento dado pelo ex-presidente do BC, Francisco Lopes, à Polícia Federal. O senador lembrou que Lopes informara à Polícia que foi Mauch quem negociou diretamente com o Banco Marka.- Nunca recebi, nem fui solicitado a receber Cacciola. Deixei para que a área técnica do Banco Central recebesse os representantes do Marka - garantiu o depoente, admitindo que o levantamento da situação financeira dos bancos Marka e FonteCindam foi feito pelo pessoal sob o seu comando, na área de fiscalização do BC.Ainda com relação à decisão que favoreceu o Banco Marka, Cláudio Mauch teve que explicar à CPI como se chegou à cotação do dólar de R$ 1,2750. O senador Roberto Saturnino (PSB-RJ) quis saber se houve divergência entre os diretores do Banco Central no que diz respeito à fixação da taxa de câmbio. "A diretoria entendeu que, frente às condições do mercado, esta era a melhor solução, tomada dentro da legalidade e de acordo com as diretrizes da política cambial definida pelo governo federal", argumentou Mauch.O senador Eduardo Suplicy também pediu detalhes das reuniões no BC que fundamentaram a decisão de "salvamento dos bancos". Suplicy estranhou o fato de a correspondência da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F;) ter chegado no dia 14 de janeiro ao Banco Central, um dia após terem sido iniciados os estudos sobre a situação do Banco Marka. Segundo o senador, "a correspondência da BM&F;, alertava sobre a situação difícil dos bancos e foi usada como argumento para a operação de ajuda ao Marka e FonteCindam". - A operação não foi feita para salvar a instituição, e muito menos o patrimônio de seus controladores. O Banco Central entendeu que a quebra seria danosa para a credibilidade, já arranhada do país junto ao mercado internacional - justificou Cláudio Mauch.Respondendo a pergunta do senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE), Cláudio Mauch explicou porque a cotação de R$1,2750 por dólar não foi oferecida a todo o mercado financeiro. Segundo o ex-diretor do BC, a cotação, definida por ele como "possibilidade de liquidez", foi oferecida apenas a instituições que procuraram o Banco Central, alegando terem posições temerárias em moeda americana, "pondo em risco o sistema como um todo". (No fechamento desta edição, às 23h, prosseguia o depoimento de Cláudio Mauch.)
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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